Mas conheci os teus amores,
Eu conheci as tuas dores,
Os teus temperos e sabores,
A tua chama, lutadora, a flamejar.
Pensando no que seremos,
Refletindo sobre o que fomos,
Na árvore da vida hoje somos...
Frutos de um sistema em degradação,
Frutos de um sistema em deterioração,
Frutos de um sistema em regressão,
Remando pra deter nossa involução.
Mas não foi nesse período,
Que tudo aconteceu,
Antes da resposta
Já havia a interrogação,
Voltados para a encosta O Sol escureceu,
A neblina turva
Escondeu o coração,
Envolveu o coração...
Restou a força dos brutos,
E todo o resto pereceu,
Estamos colhendo os frutos,
Pra quem ainda não nasceu,
Não nasceu e o culpado fui eu.
Um gesto pra amar
Um beijo pra sentir
Um teto pra abrigar
Uma manhã pra refletir
Uma língua pra falar
Um filme pra assistir
Um tempo pra pensar
Uma manhã pra refletir
Uma lei pra se opor
Um trato pra cumprir
Uma canção pra compor
Uma manhã pra refletir
Uma poça pra saltar
Uma peça pra aplaudir
Um jantar pra alimentar
Uma manhã pra refletir
Um vício pra deixar
Um afeto pra sorrir
Um amor pra guardar
Uma manhã pra refletir
Uma vida pra viver
Uma perda pra punir
Uma dor pra esquecer
Uma manhã pra refletir
Um discurso pra inspirar
Um concurso pra competir
Uma pedra pra chutar
Uma manhã pra refletir
Uma muda pra plantar
Uma roupa pra vestir
Um planeta pra mudar
Uma manhã pra refletir
Um fim pra uma frase
Num texto marginal
A certeza de um quase
Na catarse matinal
A certeza de uma quase
Catarse matinal
Quase uma catarse
Em 10 manhãs.
Espaço vago para refletir
Em português coloquial,
A gente se ajeitava e pronto.
Um terraço, um varal,
Sala, cozinha, banheiro, aposento,
Uma rede pro encosto e ponto.
Naquele Pretérito
Bem-mais-que-perfeito,
Convivência era próspera,
Em nosso proveito.
Cada quina um reconto,
Pela prosperidade,
Éramos afortunados,
Sem um tostão ou vaidade,
Reinava dominante a simplicidade.