Frases de despedida e morte que falam de amor, dor e eternidade

A morte é o repouso, mas o pensamento da morte é o perturbador de todo o repouso.

Sabe-se que enquanto vivemos estamos mais ou menos expostos à inveja, mas depois da nossa morte os nossos inimigos deixam de nos odiar.

O grande político conhece-se pelo fato de os seus pensamentos viverem depois da sua morte ou da sua derrota.

A vida, para os desconfiados e os temerosos, não é vida, mas uma morte constante.

O avarento gasta mais no dia da sua morte do que gastou em dez anos de vida, e o seu herdeiro mais em dez meses do que ele na vida inteira.

O temor da morte é a sentinela da vida.

A velhice poderia ser a suprema solidão, não fosse a morte uma solidão ainda maior.

Criar é matar a morte.

Condenados à morte, condenados à vida, eis duas certezas.

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente.

Martha Medeiros
Crônica "A Despedida do Amor", 2001

Nota: Trecho da crônica "A Despedida do Amor" de Martha Medeiros

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Não chore nas despedidas, pois elas constituem formalidades obrigatórias para que se possa viver uma das mais singulares emoções da vida: o reencontro.

Tão bom morrer de amor! E continuar vivendo...

Mario Quintana
Baú dos espantos, Porto Alegre: Editora Globo.1986.p. 596 p. 87.

Nota: Trecho do poema Conversa Fiada, compilado na obra referida de Mário Quintana.

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A vida sem luta é um mar morto no centro do organismo universal.

Machado de Assis
Memórias póstumas de Brás Cubas (1881).

Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso...

Não é que eu tenha medo de morrer. É que eu não quero estar lá na hora que isso acontecer.

Está morto: podemos elogiá-lo à vontade.

Machado de Assis
Assis, M. Obra Completa de Machado de Assis. vol. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar 1994.

Nota: Conto "O Empréstimo."

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Temer o amor é temer a vida, e os que temem a vida já estão meio mortos.

A vida é como uma sala de espectáculos; entra-se, vê-se e sai-se.

Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce - uma estrela,
Quando se morre - uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
"Ponham-me a cruz no princípio...
E a luz da estrela no fim!"

Nunca se é homem enquanto se não encontra alguma coisa pela qual se estaria disposto a morrer.

Jean-Paul Sartre
SARTRE, J., A Idade da Razão, 1945