Frases de Paulo Coelho Veronika Decide Morrer
Quando a emoção engole os pensamentos, somos submetidos a devaneios infindos. A razão, víbora, finge que é companheira, mas observa a queda em silêncio.
Quero o verídico, inabalável. Quero a concretização de sonhos antes cristalizados. Dispenso a síntese do sintético e a antítese inacabada. Dispenso, sobretudo, o medo infeliz, que macula a coragem da vanguarda.
No topo da árvore das decisões, o vento traz rumores diversos. Uns sussurram acordos inéditos, outros proclamam cessar-fogos que nunca se concretizam.
A tristeza está para o oceano assim como a memória está para o rio de sensações que deságua nas sinapses.
Pensar é elevar a centelha da alma a um estado de afeto pela descoberta e pela consciência, alcançando soluções e criando novas concepções para o que já tem definição temporária.
Mesmo diante das adversidades, é preciso dar vazão à própria natureza. Se ser bom é a nossa sina, que o sejamos — ainda que custe um mar de lágrimas, ou para que não sucumbamos à mesmice.
ENQUANTO HOUVER FRIO
A verdade é que faz tempo que estamos com frio —
mas ninguém mais lembra se o clima está se impondo com rigor
ou se fomos nós que paramos de nos aquecer.
Talvez o mundo esteja se apagando,
com clarões incoerentes nos recônditos das guerras.
O mundo é um transe caótico sem beira, um segredo que o Universo teima em esconder por vergonha sintática
Pontos, vírgulas, parênteses e companhia são ambiências da linguagem para tolir tempestades de sinapses indizíveis.
Quando a vertigem dança em um plano cartesiano, buscando traçar uma geometria reta e límpida, torna a lucidez uma metáfora hiperbólica.
Ao sentir a solidão, a andorinha ferida, mesmo sem fazer verão, ensina os filhotes a voar com raiva e ternura.
