Já me mentiram tantas vezes, tantas, que deixei de ter lembranças sobre a verdade.
Já me falharam tantas vezes, tantas como as que precisei, que deixei de precisar.
Já me magoaram tantas vezes, tantas como as que não magoei, que é melhor assim, guardar o amor dentro de mim.
Deitada na erva fresca da primavera, olho o céu e sorrio a Deus.
O ar tem aquela fragrância de verão, inebriante e profunda, e eu sinto-me infinitamente bem.
Como a dos alcoólicos anónimos, haveria de existir uma estrutura para os de amizade não correspondida. Quando os seus olhos nunca nos viram. Quando partem depois de terem chegado. Quando os seus gestos começam a esquecer-nos. Quando querem o que não dão. Por aí.