SUSSURRO
Se não erro
ao decifrar a voz dos vegetais,
eis que suspira a muda de pau-ferro
no silêncio do ser:
- Eu sei que fui plantada
com música, discurso e tudo mais,
para alguém no futuro, oferecer
sem discurso e sem música o prazer
da derrubada.
E, no fim das contas, de que adiantava ficar reexaminando nossa tristeza o tempo todo? Era como cutucar uma ferida e se recusar a deixá-la sarar. Eu sabia o que tinha vivido. Sabia qual tinha sido meu papel. De que adiantava repassar isso?
"Enquanto isso, no mundo real:
O sol se põe lá no horizonte,
A flor embeleza o jardim,
Os pássaros cantam suaves melodias,
Crianças brincam na praça,
Estrelas brilham no céu,
Mas ninguém para pra ver."