Frases de Escritores
Aliás – descubro eu agora – eu também não faço a menor falta, e até o que escrevo um outro escreveria.
Fotografia é o retrato de um côncavo, de uma falta, de uma ausência?
Quando penso no que já vivi me parece que fui deixando meus corpos pelos caminhos.
Desconfortável. Não me sinto bem. Não sei o que é que há. Mas alguma coisa está errada e dá mal-estar. No entanto estou sendo franca e meu jogo é limpo. Abro o jogo. Só não conto os fatos de minha vida: sou secreta por natureza.
Observo em mim mesma as mudanças de estação: eu claramente mudo com elas.
Se uma pessoa perguntar durante meia hora a palavra "eu", essa pessoa se esquece quem é. Outras podem enlouquecer. É mais seguro não fazer jamais perguntas – porque nunca se atinge o âmago de uma resposta. E porque a resposta traz em si outra pergunta.
Ela sentia falta de encontrar-se consigo mesma e sofrer um pouco é um encontro.
Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade.
Dá-me a tua mão desconhecida, que a vida está me doendo, e não sei como falar – a realidade é delicada demais, só a realidade é delicada, minha irrealidade e minha imaginação são mais pesadas.
O óbvio é a verdade mais difícil de se enxergar.
O medo me leva ao perigo. E tudo que eu amo é arriscado.
A vida não é de se brincar porque em pleno dia se morre.
De repente as coisas não precisam mais fazer sentido. Satisfaço-me em ser. Tu és? Tenho certeza que sim. O não sentido das coisas me faz ter um sorriso de complacência. De certo tudo deve estar sendo o que é.
Só uma coisa a favor de mim eu posso dizer: nunca feri de propósito. E também me dói quando percebo que feri. Mas tantos defeitos tenho. Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa. Embora amor dentro de mim eu tenha.
Por que é que um cão é tão livre? Porque ele é o mistério vivo que não se indaga.
Estou bastante acostumada a estar só, mesmo junto dos outros.
E a escuridão se torna tão maior. Estou caindo numa tristeza sem dor. Não é mau. Faz parte. Amanhã provavelmente terei alguma alegria, também sem grandes êxtases, só alegria, e isto também não é mau. É, mas não estou gostando muito deste pacto com a mediocridade de viver.
Sou vulnerável às menores bobagens, às mínimas palavras ditas, a olhares até, e sobretudo, a imaginações.
Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida.
