Hoje senti pena de algumas pessoas. Não... Azrael Asael (Tarin Michael)

Hoje senti pena de algumas pessoas. Não por estarem doentes, mas porque a enfermidade que carregavam parecia ser de outra natureza: uma enfermidade intelectual.

E quem sou eu para falar de sabedoria? Um zé-ninguém, sem grande conhecimento escolar ou mesmo daquele conhecimento comum que se adquire pela simples disposição de observar, ouvir e pensar.

Estava eu apenas observando e ouvindo as junções de vogais e letras dos coleguinhas, que nem palavras conseguiam formar, mas estufavam o peito como pombo, sem sequer saber por que permaneciam sempre tufados.

Entretanto, quando juntavam várias palavras para formar frases, revelavam não apenas a ausência de nexo, mas uma espécie de moléstia educacional diante dos ouvintes. As palavras estavam presentes, mas o pensamento parecia ter faltado ao encontro.

Foi então que percebi: talvez eu também seja um analfabeto. Porém, ainda não fui completamente bestializado, porque consigo ouvir uma palavra maltratada e sentir vergonha.

Vergonha da pá(lavra).

Um termo meu, talvez estranho, mas que carrega uma ideia que me agrada: a palavra precisa ser lavrada. Assim como a terra, ela precisa ser trabalhada para que alguma coisa nasça. Uma palavra não deveria apenas sair da boca; deveria carregar consigo algum sentido, alguma coerência, alguma possibilidade de pensamento.

Lavrar a palavra é cultivar o pensamento.

E talvez seja justamente aí que esteja a verdadeira pobreza intelectual: não na falta de palavras, mas na abundância delas sem pensamento.

Falam muito, juntam letras, empilham frases, estufam o peito… mas nada nasce.

Nem sequer uma ideia.