Falar de saudade do que nunca se teve... Lucci Santz

Falar de saudade do que nunca se teve é, de certa forma, querer viver aquilo que nunca esteve ao nosso alcance.

Mas o que eu guardo?

Guardo o sonho interrompido.
A vontade de ser mais de quem eu sempre fui para alguém.
Guardo os dias de trilhas e pores do sol que não tive a oportunidade de viver.
Guardo as conversas que ficaram pelo caminho, os planos que não chegaram a nascer e tudo aquilo que existiu primeiro dentro de mim.

E, principalmente, guardo a necessidade de ser tudo, mas não para qualquer pessoa.

Agora eu quero ser tudo para quem não vai transformar meu coração em abrigo.

Porque até os abrigos são temporários.

Eu quero ser morada.

Morada para quem chega e escolhe ficar.
Para quem não procura apenas proteção, mas pertencimento.
Para quem entende que um coração não foi feito para ser passagem.

Talvez seja essa a saudade que eu sinto.

Não de alguém.

Mas da vida que eu ainda não vivi com alguém que saiba ficar.