O ILUDIDO E O DOIDO Tem gente que faz... Jose Vidal de Negreiros Neto...

O ILUDIDO E O DOIDO


Tem gente que faz loucura
Sem pensar no que está fazendo,
Vai seguindo pela vida
Sem saber onde está indo.
Quando a coisa dá errado,
Diz: “Eu não sabia, não!”
Mas existe outro mais fino
Que conhece a situação.


O doido age sem juízo,
Sem medir consequência,
Já o iludido faz sabendo,
Mas disfarça a consciência.
Faz de conta que não sabe,
Muda logo a explicação,
E quando alguém desconfia,
Ele diz: “Foi impressão!”


O Iludido é pior que o Doido,
Um sabe a razão,
Outro faz sem noção.
Um conhece o caminho,
Mas finge estar perdido,
O outro vai sem rumo
Porque é doido ou distraído.
O Iludido é pior que o Doido,
Um sabe a razão,
Outro faz sem noção.


Na vida de um casal
Tem história de montão:
Um percebe a falsidade,
Mas faz cara de paixão.
Sabe onde está o problema,
Conhece a situação,
Mas prefere fazer de conta
Que não viu a traição.


Tem também quem viva em casa
Fazendo jogo ensaiado:
Sabe tudo que acontece,
Mas se mostra enganado.
Quando chega a tempestade,
Vem com aquela indagação:
“Quem foi que fez isso comigo?”
Sabendo a resposta de antemão.


No trabalho é parecido,
Tem sujeito especialista:
Sabe tudo que está errado,
Mas se faz de bom artista.
Quando a culpa bate à porta,
Ele muda de posição:
“Eu não estava sabendo!”
E escapa da confusão.


Tem colega que conhece
Cada passo da jogada,
Sabe quem puxa os cordões,
Sabe quem não faz nada.
Mas prefere ficar calado,
Esperando a ocasião,
Pois quem finge ser inocente
Muitas vezes tem intenção.


Entre amigos acontece
Uma coisa interessante:
Tem quem saiba da conversa
E se faça de ignorante.
O segredo está guardado,
Mas conhece a situação;
Só revela quando percebe
Que lhe traz algum tostão.


Na política é mais forte
Esse tipo de esperteza:
Tem discurso de esperança,
Mas por trás muita esperteza.
Promete céu ao eleitor,
Fala em povo e união,
Mas depois de eleito esquece
Da palavra e do povão.


Tem político que conhece
A miséria do lugar,
Sabe a dor de quem trabalha,
Sabe o povo reclamar.
Mesmo assim faz pouco caso,
Com conversa e distração,
Pois se faz de desentendido
Para fugir da obrigação.


E o povo muitas vezes
Também entra nessa história:
Sabe quem está enganando,
Mas insiste na memória.
Vota, sofre e depois diz:
“Eu não tinha informação!”
Quando a verdade estava
Bem diante da sua mão.


O doido pode ser franco,
Pode errar sem perceber;
Já o iludido tem ciência
Do que pretende fazer.
Um tropeça no caminho,
Outro escolhe a direção,
Mas se esconde atrás da fala
Para negar sua intenção.


Por isso tenha cuidado
Com quem vive disfarçado,
Que conhece cada coisa
E aparece desinformado.
Às vezes o mais perigoso
Não é quem perde a razão,
Mas quem sabe muito bem
E finge não saber, não!


O Iludido é pior que o Doido,
Um sabe a razão,
Outro faz sem noção.
Um conhece o caminho,
Mas finge estar perdido,
O outro vai sem rumo
Porque é doido ou distraído.
O Iludido é pior que o Doido,
Um sabe a razão,
Outro faz sem noção.


Na escola da existência
Todo mundo tem lição:
Nem todo silêncio é medo,
Nem toda fala é opinião.
Tem silêncio de quem pensa,
Tem palavra de ocasião,
E tem gente que se faz de doida
Pra esconder sua intenção.


Ser esperto é uma coisa,
Ser desonesto é outra,
Quem conhece seus próprios atos
Não deve viver na sombra.
Porque a vida dá voltas
E revela a situação:
Quem brinca de ser inocente
Pode cair na própria mão.


No final dessa peleja,
Fica a grande conclusão:
O doido pode ser doido,
Mas merece compreensão.
Já o falso desentendido,
Que calcula cada ação,
Sabe muito bem o que faz
E ainda nega a razão.


Por isso digo em meu verso,
Com respeito e sem engodo:
Não confunda quem não sabe
Com quem finge saber de tudo.
Pois há loucura sem maldade
E esperteza sem coração.


O Iludido é pior que o Doido,
Um sabe a razão,
Outro faz sem noção.
Se um erra sem perceber,
O outro erra decidido;
Um é doido por natureza,
O outro é malandro escondido.
O Iludido é pior que o Doido,
Um sabe a razão,
Outro faz sem noção.