Ana caroline barcelos -- costurando... John Rabello de Carvalho...

ana caroline barcelos -- costurando gritos em silêncio


no silêncio onde os mundos se entrelaçam,
caminha ana caroline, costureira de destinos.
entre pontos, linhas e sombras que passam,
ela molda armaduras, sonhos e caminhos.


“ana”, leve como névoa matinal,
mas forte como trovão ancestral.


sorriso de menina meiga em tarde sem pressa,
porém, carrega dentro de si trovões e promessas.
quando o caos vem bater à sua porta,
ana dança com o medo, mas nunca se entrega.


pois há vinte e dois invernos e primaveras
que conheço esta alma, e sei que ela também trava
batalhas contra a melancolia que assombra os dias,
guerras físicas do corpo e tormentas sentimentais
que nem sempre pedem trégua.
mas é justamente nessa forja de dores
que seu talento ganha alma, dedo e coração.


com cada agulha que toca o tecido,
desenha um universo nunca vencido.
não importa quem seja o mortal ou a criatura
que busque abrigo em seus panos:
seja criança, adolescente, adulto ou ancião,
ou mesmo os pequenos animais de estimação,
ela veste a todos com a mesma devoção sagrada.


“caroline”, nome que canta e encanta,
mesmo nas dores, sua alma levanta
por aqueles que realmente importam.


com um toque gótico no preto do olhar,
caminha elegante, sem precisar explicar,
apenas fazendo meus olhos brilhar...
pois ana caroline barcelos tem beleza simples e exuberante;
com muita postura, seu estilo é arte,
sua arte é cura,
e a moda se curva à sua costura.


seu quarto é refúgio, templo, floresta,
de onde saem criações como festa.
entre animes, mangás e chá na xícara,
ana se reinventa, firme e lírica.


“barcelos”, sobrenome que ecoa no vento,
rima com força, com sonho e lamentos.


ana caroline barcelos foi forjada entre gritos calados,
por uma mãe que não quis compreendê-la,
não quis escutá-la e muito menos abraçá-la,
negando-lhe o afeto de uma boa mãe.
mas nem o desprezo, nem olhos molhados,
conseguiram dobrar ou calar sua fala.


e agora, diante do espelho da lua,
surge a poesia de ana caroline barcelos.
feita por alguém que caminha nas trevas,
com suas roupas todas pretas, no estilo headbanger,
que quase nunca fala de si,
mas que leva consigo uma luz escondida,
e quando abre a boca para impor a plena verdade...
acende as estrelas.


não colocarei meu nome nesta poesia,
não preciso ser visto,
pois quem sente o que escrevo já sabe o que insisto.
te observo na sombra, sem véus nem anéis,
com botas, correntes e olhos fiéis.


apenas escute...
...e sentirá em cada verso,
o meu silêncio te dizendo:
“você é universo.”