🍃A bertalha e a minha memória... Miriam Da Costa
🍃A bertalha e a minha memória afetiva👵
Tenho bordada na memória a culinária caipira da minha avó.
Na Zona da Mata mineira, o fogão a lenha ficava do lado de fora da casa, ao lado da cozinha.
Era ali, naquele fogo manso, que ela preparava quitutes cujos aromas despertavam o apetite até da paisagem.
A roça inteira parecia parar para desfrutar o aroma.
A bertalha, essa folha viçosa, carnuda, de um verde que brilha, como essas que colhi hoje e lavei, era presença certa.
Nascendo generosa pelos cantos do quintal, quase como mato para quem não conhece, mas para minha avó era riqueza pura.
Refogada com alho, cebola, açafrão da terra e outros temperos típicos da culinária mineira, aquele cheiro subia e impregnava o quintal inteiro.
Afogada na sopa, escorrendo aquele caldinho esverdeado que confortava a alma:
ou ainda enroladinha com linguiça e angu,
no capricho que só ela sabia fazer.
Era o verde que abraçava.
Hoje, ao lavar folha por folha, sinto de novo o cheiro da fumaça mansa, o estalo da lenha e a voz dela me chamando para a mesa.
A bertalha não é só PANC,
não é só alimento.
É colo. É um dos fios do cordão umbilical
que me liga à minha história caipira, à mão da minha avó que temperava tudo com ternura.
É a minha memória afetiva servida no prato.
✍@MiriamDaCosta
