Elegia à lua Amei-te como a lua ama o... Gabriel Parice Lopes

elegia à lua

Amei-te como a lua ama o mar,
de longe, mas inteira em seu encanto
sem nunca precisar de o alcançar,
fazendo da distância o próprio canto.

Teus olhos tinham luz de madrugada,
um brilho que nenhuma estrela imita
e havia neles qualquer coisa sagrada,
dessas que a alma reconhece e acredita.

Eu te guardei nas margens do pensamento,
como quem guarda o verão depois da chuva
e mesmo quando veio o esquecimento,
teu nome permaneceu onde a saudade atua.

Talvez amar seja isso, afinal
ser mar quando o outro é lua distante
saber que o impossível pode ser real
quando um olhar transforma tudo num instante.

E se algum dia o oceano se calar,
e a lua perder seu brilho sobre a areia,
ainda haverá em mim um lugar
onde a tua luz, silenciosa, incendeia.

Porque há amores que o tempo não desfaz,
nem a distância consegue levar
eles apenas aprendem a viver em paz
no espaço entre a lua, o céu e o mar.

E se me perguntarem onde te encontrei,
direi: num lugar que não sei explicar
entre tudo aquilo que um dia sonhei
e tudo aquilo que ainda quero amar.