ALMA VAZIA! Tu me destruíste. Mas não... Alle Barbosa

ALMA VAZIA!

Tu me destruíste.
Mas não te culpo por isso,
pois, desde o instante em que te conheci,
percebi que eras vazio.

E quem nada guarda dentro de si
pouco tem a oferecer.

Ainda assim, por minha própria teimosia,
permiti que te aproximasses,
que me consumisses pouco a pouco,
até que de mim nada mais restasse.

Entreguei-te o que havia de mais profundo em minha alma,
e tu, incapaz de preencher o próprio vazio,
tomaste de mim tudo aquilo que pudeste.

A ironia, porém, permanece:
esvaziaste-me por inteiro
e, ainda assim,
continuaste vazio.

Talvez essa seja a maior diferença entre nós:
eu me perdi ao tentar te preencher;
tu apenas revelaste que jamais tiveste
algo dentro de ti para oferecer.