No silêncio do meu quarto É no... Bruna Marquezan Silv

No silêncio do meu quarto

É no silêncio do meu quarto que me transformo em palavras.
Às vezes, meu caro amigo, meu desejo não passa de aspirações literárias, poéticas talvez, românticas sempre.
Sou um romantismo em botão.
Tenho alma de poeta clássico e coração de donzela sonhadora.
Conheço os doces e amargos do sentimentalismo nato, e já fui provedora de todos eles.
E também, vez ou outra, quando me abasta a solidão cabível ao pungente e lascivo transcorrer do tempo, eu me ponho a combinar palavras,
formar versos, montar textos que quiçá traduzam o que sinto.
Tenho no papel um confidente perfeito, com quem compartilho angústias e alegrias sem medo de ser subjugada.
Ele apenas retém os meus sentidos, e isso já me basta.
Quero fazer conhecer a quem, um dia, porventura, venha ser leitor de meus escritos, que sou a mais sensível e suave das mulheres, me desmancho pelo toque, me recomponho pelo olhar, sou artista e plateia ao mesmo tempo; amante e amada.
Recebi do Criador a aflitiva missão de apenas amar, e dela não me queixo, nem me seria digno apontar um quê de reclamação.
É doce morrer de amor.