Aquilo Que Nunca Deixamos de Viver... Silasoliveira13
Aquilo Que Nunca Deixamos de Viver
Escrevo sobre experiências que nunca vivi, mas que, de alguma maneira, parecem ter passado por dentro de mim.
Falo de um amor que talvez jamais tenha tido por inteiro, mas que meu coração conheceu antes mesmo de saber seu nome.
Porque nem tudo aquilo que sentimos precisa ter acontecido para ser verdadeiro.
Existem sentimentos que nascem daquilo que vivemos, mas existem outros que nascem justamente daquilo que nos faltou.
E, às vezes, são as ausências que escrevem as páginas mais profundas da nossa história.
Falo das emoções que me fizeram chorar.
Das lágrimas que chegaram sem da explicação e escorreram pelo rosto quando nenhuma palavra conseguia falar o que estava acontecendo dentro do peito.
Chorei pelo que aconteceu.
Chorei pelo que poderia ter acontecido.
E talvez tenha chorado ainda mais por aquilo que esperei durante tanto tempo e nunca chegou.
Falo também das alegrias que já não tenho mais.
Daquelas manhãs em que a vida parecia mais simples.
Dos risos que enchiam uma casa.
Das conversas sem hora para terminar.
Dos pequenos momentos que, enquanto aconteciam, pareciam comuns, mas que hoje dariam tudo para serem vividos apenas mais uma vez.
É estranho como a vida nos ensina tarde o valor de certas coisas.
Enquanto temos, acreditamos que permanecerão.
Quando perdemos, descobrimos que eram eternas justamente porque terminaram.
E então vem a saudade.
Essa maneira dolorosamente bonita que o coração encontrou de continuar convivendo com aquilo que o tempo levou.
Fecho os olhos e abraço quem já não está aqui.
Não encontro um corpo.
Não sinto o calor dos braços.
Não escuto a voz.
Mas alguma coisa dentro de mim reconhece aquela presença.
E abraço.
Abraço com a memória.
Abraço com a saudade.
Abraço com tudo aquilo que ficou guardado no lugar onde o tempo não consegue entrar.
Talvez seja por isso que algumas pessoas nunca partam completamente.
Elas deixam de morar ao nosso lado e passam a morar dentro de nós.
Continuamos conversando com elas em silêncio.
Continuamos repetindo suas palavras.
Às vezes sorrimos lembrando de alguma coisa que fizeram.
Às vezes choramos porque, por um segundo, esquecemos que não podemos mais chamá-las.
E assim seguimos.
Carregando amores que tivemos e aqueles que apenas imaginamos.
Carregando alegrias que o tempo levou.
Carregando lágrimas que ninguém viu.
Carregando abraços que nossos braços ainda procuram dar.
A vida não é feita somente daquilo que aconteceu.
Também somos feitos daquilo que desejamos, daquilo que perdemos, daquilo que quase aconteceu e até daquilo que jamais tivemos coragem de viver.
Tudo isso permanece.
Porque há sentimentos que não obedecem ao calendário.
Não envelhecem quando envelhecemos.
Não desaparecem quando alguém parte.
Não morrem quando uma história termina.
Eles simplesmente mudam de lugar.
Saem das nossas mãos e vão para a memória.
Saem dos nossos olhos e vão para a saudade.
Saem dos nossos dias e passam a morar dentro do coração.
E talvez viver seja exatamente isso:
aprender que algumas coisas passam…
mas aquilo que verdadeiramente sentimos, de alguma maneira, jamais deixamos de viver.
