Protegido. Não peço que meus inimigos... Gabriel Parice Lopes

protegido.


Não peço que meus inimigos desapareçam. peço coisa pior, que continuem existindo, mas que nunca encontrem o caminho até mim.


Que tenham pés, mas que nenhum passo os traga na minha direção. Que tenham mãos, mas que toda tentativa de tocar aquilo que é meu encontre o vazio. Que tenham olhos, mas que não me vejam, não reconheçam meu rosto no meio da multidão, não saibam onde eu piso, onde eu durmo, onde eu levanto.


E que nem mesmo em pensamento eles possam ter espaço suficiente para me fazer mal.


Porque há guerra que não começa com barulho. Começa com intenção. Com inveja guardada atrás de um sorriso, com palavra atravessada, com desejo silencioso de ver alguém cair. E contra esse tipo de inimigo eu não quero apenas distância. Quero proteção. Quero que toda maldade enviada encontre uma parede antes de chegar.


Armas de fogo não alcançarão meu corpo. Facas e espadas se quebrarão antes de tocar minha pele. Cordas e correntes arrebentarão antes de me amarrar. Toda porta que tentarem fechar diante de mim vai encontrar uma chave que ainda não conheciam. Todo caminho que tentarem bloquear vai me ensinar outro caminho.


Não porque eu seja intocável.


Mas porque aprendi que nem toda batalha precisa ser travada.


Algumas guerras se vencem continuando de pé enquanto quem desejava a sua queda se cansa de esperar.


Então que venham os olhos que procuram, as mãos que apontam, os pés que perseguem, as bocas que amaldiçoam. Que façam seus planos, que gastem suas noites pensando em como me diminuir. Eu não preciso devolver o mal. Só preciso não permitir que ele atravesse a porta.


Porque existe uma proteção que não faz barulho.


Ela nasce quando alguém decide que aquilo que tentou destruí-lo não terá o privilégio de definir quem ele será.


E desde então, tudo que vier contra mim encontrará o mesmo destino: pés sem caminho, mãos sem alcance, olhos sem visão, armas sem força, facas sem corte, espadas partidas, cordas arrebentadas e correntes no chão.


Eu sigo.


E aquilo que foi feito para me parar aprende, tarde demais, que nem tudo que se move pode ser alcançado.