O deslumbre do realismo ressoa no... Celso roberto nadilo
O deslumbre do realismo ressoa no Iluminismo, enquanto a arte cubista aflora conceitos, experiências e linguagens no ambiente. As cores — vivas, mortas ou sombrias — despertam sensações e revelam dimensões para a contemplação do quadro, expondo a alma do artista.
Metáforas, sombras e dimensões notáveis oferecem a noção psicológica do pintor no instante exato da criação. A cada renovação, damos livre-arbítrio à evolução existencial, que reluta contra a superficialidade em busca de um olhar profundo, mesclando sensação e percepção.
A imersão dos valores éticos na cor deforma o sentido e instiga a surpresa; é a transição do espectro visual para o mosaico cubista, moldando uma realidade alternativa. Torna-se, assim, o reflexo instável da entropia humana, congelado no tempo.
Uma cadeira de balanço ou o olhar de uma velha mulher transpõem o tempo e o espaço, reluzindo nas rachaduras da tinta, no ar pesado do chumbo e na terra misturada à pigmentação. A geometria do mosaico cubista se renova e aflora. O espírito renascentista surge em palavras lançadas como imagens em uma folha seca.
Olhos fixos, perdidos e focalizados emanam uma energia massiva no contraste dos contornos, evoluindo para sombras desfocadas que traduzem o primor da época. Esta obra-prima busca o equilíbrio emocional na dobra das pinceladas, evocando o ar rústico da arte barroca. Erguem-se muros de cores abstratas numa fonética dramática: aqui, o autor à beira da loucura cortou a própria orelha; ali, outro pintou sua musa. A arte ressoa da loucura à própria existência magnânima.
Instável, assimilada como reflexo da entropia do tempo, a arte viaja através das eras — assim como meus escritos. Muitas vezes vejo cenários para os quais evoluímos por um simples pingo: a assinatura da própria arte.
A tinta respira enquanto o thinner ou o solvente secam. A ação do catalisador e a secagem revelam um processo lento e doloroso, pois a obra exige constante retoque e reconstrução; muitas vezes, a evolução existencial da arte é apenas o sentimento do artista registrado em seu diário visual.
— Por Celso Roberto Nadilo
