É tão triste precisar dar tchau para... Joyce Zwoslvy

É tão triste precisar dar tchau para alguém que a gente ama.


Principalmente quando o coração ainda sente, quando a presença daquela pessoa ainda mora em algum lugar dentro da gente.


Mas existe uma coisa dolorosa que a gente precisa aceitar: não existe força no mundo capaz de segurar alguém que escolheu partir. E também não existe maneira de fazer alguém enxergar a gente com os mesmos olhos que enxergamos essa pessoa.


Cada um sente de uma forma. Cada um enxerga através da própria história.


Às vezes, a gente ama alguém simplesmente pelo fato daquela pessoa existir. E existem sentimentos tão grandes que as palavras ficam pequenas demais para explicar.


O mais difícil é entender que não podemos criar expectativas sobre o coração do outro. Não podemos exigir que alguém sinta aquilo que sentimos.


Às vezes eu queria apertar uma tecla e apagar tudo. Apagar a saudade, apagar o amor, apagar aquilo que insiste em permanecer.


Mas sentimento não é uma tecla de delete.


Algumas coisas precisam apenas ser sentidas até que, aos poucos, encontrem o seu lugar dentro da gente.


Eu queria que acabasse logo. Queria que fosse mais fácil. Mas eu também entendo que não posso acelerar o tempo do meu próprio coração.


Não vou fingir que não sinto. Não vou lutar contra algo que existe dentro de mim.


É como estar em um barco no meio do mar, deixando as águas conduzirem o caminho.


Mas estar à deriva não significa estar esperando alguém voltar.


Significa apenas que eu parei de lutar contra o movimento das ondas e comecei a confiar que, em algum momento, elas vão me levar para um lugar onde eu consiga respirar novamente. Ou deixar que alguém entre no meu barco e reme junto comigo pra um novo lugar. A vida me força sempre e tomar decisões, e lutar o tempo todo contra tudo aquilo que te põe pra baixo, lutar contra suas sombras, uma hora a luz chega.


Nunca irei dar meu leme para alguém dizer qual direção eu tenha que tomar, mas sim, posso deixar alguém me ajudar. Às vezes, amar alguém também é aprender a soltar. Não porque o amor acabou, mas porque entendemos que ninguém muda pela força do nosso sentimento. Eu posso amar.