Desilusão Ó realidade, que me toca e... Aluízio Melo
Desilusão
Ó realidade,
que me toca
e fere minha carne.
Através dos reflexos da água,
vejo histórias se formarem:
contos do passado
que, outrora preciosos,
tornaram-se fardos
para o presente.
Águas turvas.
Silêncio mórbido.
Quisera eu
adormecer no abraço da ignorância,
para que a realidade
não me revelasse
que a joia mais bela
transformou-se
numa sórdida bijuteria.
E o que antes eu chamava de tesouro
era apenas o brilho breve
de um metal sem valor,
capaz de enganar os olhos,
mas jamais o tempo.
Hoje, ao tocar essa falsa riqueza,
meus dedos não encontram ouro,
apenas o frio
de uma ilusão desfeita.
