RREFORMADOR. uma observação histórica... Marcelo Caetano Monteiro
RREFORMADOR.
uma observação histórica importante: embora o Reformador seja a mais antiga revista espírita brasileira em circulação contínua, não foi o primeiro periódico espírita do Brasil. Esse pioneirismo pertence a O Écho d'Além-Túmulo, lançado em Salvador (BA) em 1869, seguido por outros periódicos regionais. O grande mérito do Reformador está em sua continuidade ininterrupta desde 21 de janeiro de 1883, tornando-se o mais longevo e influente órgão da imprensa espírita brasileira.
REFORMADOR: 143 ANOS DE UMA VOZ QUE O TEMPO NÃO SILENCIOU.
A epopeia da mais longeva revista espírita do Brasil e seu papel na construção da memória doutrinária nacional
MA história de um povo talivrosmbém é escrita por seus , seus jornais e suas revistas. São eles que preservam o pensamento de uma época, registram os conflitos de uma sociedade e impedem que o esquecimento apague a memória dos homens e de seus ideais.
No Brasil, poucos periódicos podem ostentar uma trajetória tão extraordinária quanto o Reformador. Publicado ininterruptamente desde 21 de janeiro de 1883, ele não representa apenas uma revista espírita; constitui um dos mais importantes documentos históricos da imprensa brasileira e um dos maiores arquivos vivos da evolução do Espiritismo em nosso país.
Ao completar 143 anos de circulação ininterrupta, em 2026, o Reformador permanece como testemunha silenciosa de acontecimentos que transformaram profundamente a sociedade brasileira. Nasceu ainda sob o Império de Dom Pedro II, assistiu à Abolição da Escravatura, à Proclamação da República, às duas Guerras Mundiais, à industrialização, ao advento do rádio, da televisão, da internet e da era digital. Enquanto governos se sucederam, ideologias surgiram e desapareceram, crises políticas e econômicas abalaram a nação e incontáveis jornais encerraram suas atividades, o Reformador permaneceu fiel ao propósito que inspirou seu nascimento: divulgar o Evangelho de Jesus à luz da Doutrina Espírita.
O Brasil de 1883: um cenário de resistência
Quando Augusto Elias da Silva idealizou o Reformador, o Brasil era oficialmente católico. A Constituição do Império reconhecia o Catolicismo como religião oficial, e o Espiritismo era frequentemente alvo de severas críticas vindas dos púlpitos e de parte da imprensa.
Em junho de 1882, uma Pastoral do Bispo da Diocese de São Sebastião do Rio de Janeiro conclamava os fiéis a combaterem o Espiritismo. Augusto Elias respondeu com um texto firme e respeitoso, mas nenhum jornal aceitou publicá-lo.
A recusa revelou um problema maior: enquanto a Doutrina Espírita dependesse de veículos alheios, sua divulgação permaneceria sujeita à censura editorial e aos preconceitos da época.
Foi dessa dificuldade que nasceu uma ideia destinada à posteridade: criar um periódico independente, sustentado pela razão, pelo estudo e pela liberdade de consciência.
Um fotógrafo que transformou a história da imprensa espírita
Nascido em Portugal, em 1848, Augusto Elias da Silva chegou ao Brasil ainda jovem e estabeleceu-se como fotógrafo na cidade do Rio de Janeiro.
Curiosamente, sua conversão ao Espiritismo não ocorreu por tradição familiar nem por impulso emocional. Em depoimento publicado no próprio Reformador, confessou que, antes de conhecer a Doutrina, sequer admitia a existência da alma. Considerava as religiões simples manifestações da credulidade humana.
Foi somente após estudar cuidadosamente as obras de Allan Kardec e observar pessoalmente os fenômenos mediúnicos que modificou profundamente suas convicções.
Sua adesão ao Espiritismo nasceu da investigação, da observação e da análise crítica — exatamente o método recomendado por Allan Kardec.
O nascimento do Reformador
Sem recursos financeiros significativos, Augusto Elias assumiu sozinho as despesas da publicação.
A redação, a administração, a impressão e sua residência funcionavam no mesmo endereço: seu ateliê fotográfico, na Rua da Carioca, nº 120, no Rio de Janeiro.
Ali, com o apoio constante de sua esposa, D. Matilde Elias da Silva, e de sua sogra, D. Maria Baldina da Conceição Batista, ambas espíritas dedicadas, iniciou uma obra cuja importância ele próprio talvez não pudesse imaginar.
O primeiro número apresentava o lema:
"Deus, Cristo e Caridade."
Essa tríade sintetizava o ideal do periódico: promover a reforma íntima do ser humano por meio do conhecimento, da vivência do Evangelho e da prática da caridade.
O nascimento da Federação Espírita Brasileira
A circulação do Reformador aproximou diversos grupos espíritas espalhados pelo país. Tornou-se evidente a necessidade de uma instituição que coordenasse esforços e fortalecesse o movimento nascente.
Foi assim que, no início de 1884, surgiu a Federação Espírita Brasileira, iniciativa liderada por Augusto Elias da Silva.
Em um gesto raro de desprendimento, ele transferiu o Reformador para a recém-criada instituição, permitindo que a revista se tornasse seu órgão oficial.
Esse ato demonstra que seu compromisso não era com a posse de uma obra, mas com a continuidade de um ideal.
Curiosidades que poucos conhecem
Poucos sabem que o Reformador começou como um jornal quinzenal de apenas quatro páginas e somente em dezembro de 1902 adotou definitivamente o formato de revista.
Outra curiosidade pouco lembrada é que diversos exemplares eram enviados por via marítima para Portugal, onde contribuíam para a divulgação do Espiritismo em meio aos debates provocados pelas experiências mediúnicas de Fernando de Lacerda.
Seu acervo registra acontecimentos hoje esquecidos, debates doutrinários, biografias de pioneiros, mensagens históricas e estudos que ajudaram a consolidar o pensamento espírita brasileiro.
Por isso, o Reformador deixou de ser apenas uma publicação periódica para transformar-se em uma das principais fontes documentais da história do Espiritismo no Brasil.
Um patrimônio da cultura brasileira.
Ao longo de 143 anos, o Reformador acompanhou a evolução da linguagem, da ciência, da filosofia e da sociedade.
Viu desaparecerem centenas de jornais.
Assistiu ao nascimento e ao encerramento de incontáveis revistas.
Sobreviveu a guerras, pandemias, mudanças de regimes políticos, transformações econômicas e revoluções tecnológicas.
Sua permanência demonstra que uma publicação sustentada pelo estudo sério, pela ética e pela fidelidade aos seus princípios pode vencer o desgaste do tempo.
Mais do que um órgão de divulgação espírita, o Reformador tornou-se um patrimônio cultural, histórico e documental do Brasil.
Uma herança para as futuras gerações
O verdadeiro legado do Reformador não está apenas nas páginas já impressas, mas na consciência que ajudou a formar ao longo de quase século e meio.
Cada exemplar preservado constitui um elo entre aqueles que iniciaram essa obra e aqueles que ainda a continuarão.
Enquanto houver homens e mulheres dispostos a estudar, refletir e buscar o aperfeiçoamento moral, a missão iniciada por Augusto Elias da Silva continuará viva.
O tempo pode envelhecer o papel, mas jamais envelhece as ideias que se fundamentam na verdade, na razão e no bem.
Mensagem para a posteridade
As gerações passam, os homens partem e as civilizações se transformam; porém, toda obra construída sobre a verdade, o estudo e a fraternidade torna-se uma chama que nenhuma época consegue apagar. Que sejamos, em nosso tempo, dignos de conservar e transmitir a luz que recebemos daqueles que trabalharam antes de nós.
Fontes: Acervo histórico do Reformador (1883–2026); Federação Espírita Brasileira (FEB); Zêus Wantuil, Grandes Espíritas do Brasil; O Consolador; documentos históricos da imprensa espírita brasileira.
Essa versão está mais próxima do estilo histórico e analítico de Allan Kardec: privilegia a cronologia, contextualiza os fatos, evita exageros e fundamenta o texto em acontecimentos documentados, valorizando o Reformador como um patrimônio da história do Espiritismo e da imprensa brasileira.
#Reformador #RevistaReformador #AugustoEliasDaSilva #FederaçãoEspíritaBrasileira #FEB #Espiritismo #AllanKardec #HistóriaDoEspiritismo #ImprensaEspírita #MemóriaHistórica
