"Título: Doce Pelotas Olho para o... Lúcia O.Fe

"Título: Doce Pelotas


Olho para o letreiro ali do Laranjal,
Composto por seus lindos ladrilhos, com o seu colorido especial.
Pelotas, doce Pelotas, da praia linda. Da Igreja da Luz e da Catedral.
Mas que não mostra nas redes o seu contraste social.


Pelotas do quindim e da boa cocada,
Mas tem seu lado amargo, pois ainda existe muito colchão na calçada.
Em fevereiro insistem com a doce folia,
Esquecendo o lado amargo: Quem come ali do lixo e a hipotermia.


Na minha doce Pelotas não existe morro,
Mas tem seu lado amargo com a fila do pronto-socorro.
Doce Pelotas do chimas ali no Una e na Dom Joaquim.
Mas e o lado amargo da fila que nunca tem fim?
Mas e o lado amargo da fila que nunca tem fim?


Capital do doce feito com carinho, bem artesanal,
Assim como o doce de Ninho e o Camafeu.
E o catador de lixo? Ainda sobrevive. Não desapareceu.
Pelotas do doce mais doce,
Do pastel de Santa Clara e do olho de sogra.
E o catador de lixo se contenta com as sobras.


Pelotas, doce Pelotas,
Onde tu vês turista encantado a sorrir,
Tirando foto em frente ao Teatro Guarany.
E o cara na calçada pedindo um pedaço de pão,
E tu fingindo não ouvir, inventando língua morta, tipo tupi-guarani.
Tipo tupi-guarani.
Ah, minha doce princesa!
Com arquitetura digna de realeza,
Com sua beleza exposta, como aquela da esquina ali da Lobo da Costa.
Logo à sua frente, a Praça Coronel Pedro Osório,
Onde Betinho é Mafalda veem o Barão com a caneta em punho no seu escritório.
E realmente tu és singular com teus imponentes casarões.
Única. Com sua grande biblioteca pública.
E o cara catando lixo que ainda sobrevive de súplica?


Ah, Pelotas, doce Pelotas.
Jamais me esqueceria do teatro que por anos ficou fechado.
O quarto mais antigo do Brasil . claro que estou falando do Sete de Abril.
Marca aí no calendário: aberto ao público no dia sete de julho,
Dia do seu aniversário.


Pelotas, doce Pelotas, aqui cidade do doce mais doce,
Da Baronesa e de barões,
De lindos teatros e de casarões.
Onde o asfalto passa bem longe de mim,
Ali no Parque Una e na Dom Joaquim.


Cidade glamourosa com seu chafariz,
Do bairro Areal onde me criei e um dia fui feliz.
Também do bairro Quartier,
Planejado por Lerner, quase um bairro privê.
Mas a elite esconde o que não quer ver:
O lado feio de Pelotas, que fingem não ter.


E o cara ali comendo lixo?
Ah, desse ninguém quer saber.
É. Ninguém quer saber.


O contraste é nítido na mesma calçada:
Riqueza maquiada, miséria escancarada.
Cenário europeu para quem tem dinheiro,
Enquanto o irmão sobrevive do lixo do bueiro.
Doce Pelotas, lado wue eu não me encaixo
Quem está no topo não olha para quem tá lá embaixo.


E o lado feio de Pelotas, que fingem não ter?
O cara ali comendo lixo?
Ah, desse lado ninguém quer saber.
É... Ninguém quer saber.
Ninguém quer saber.
Fecha a janela. Passa o vidro fumê
O Una tem arranha-céu, mas o bairro atrás dele?
Ah! Desse ninguém quer saber.


Pelotas tem seu charme, sua beleza e seus encantos, difíceis de esquecer.
Mas e o mano ali no lixo?
Ah, desse ninguém quer saber.
Ninguém quer saber.


E o estilo vai ser um Hip Hop com vocal masculino, bem na veia do que você pediu.


O que você acha? Tá do jeito que você queria?
Pronto para sua música?