A essência do espírito democrático se... Engenheiro Dênisson Hélder...
A essência do espírito democrático se ancora no respeito inequívoco à vontade soberana da maioria. Trata-se do reconhecimento de que a prevalência do sufrágio ou do consenso coletivo deve ser acatada, ainda que o rumo escolhido pareça, sob determinada ótica, equivocado.
O verdadeiro ideal democrático consolida sua vitória sem a necessidade de vilipendiar os discursos divergentes ou desqualificar os vencidos: a legitimidade manifesta-se de forma serena e incontestável.
Em contraposição, a conduta antidemocrática expressa-se pela recusa intransigente em admitir a pluralidade e a derrota.
Sob um manto de falsa cordialidade, solidariedade e compromisso institucional, o perfil antidemocrático opera de maneira dissimulada para impor sua narrativa como verdade absoluta, desprovido de real substância integradora.
O ator antidemocrático recorre com frequência à rotulagem e ao dogmatismo, opondo-se ao avanço social e à renovação de ideias sempre que estes ameacem sua hegemonia. A perpetuação no poder torna-se seu objetivo supremo, justificando a instrumentalização da máquina pública, o aparelhamento midiático e a cooptação de agentes culturais para a hegemonização do discurso.
O ápice dessa disfunção ocorre quando o antidemocrático ascende ao poder. Diante da perda de respaldo popular e da emergência de contradições internas, em vez de acatar a transição, adota manobras de manipulação da opinião pública — incluindo a difusão de desinformação automatizada e o aliciamento de apoiadores, visando a simular uma representatividade majoritária artificial.
Fracassadas as vias convencionais de convencimento, o roteiro de exceção se consolida: criam-se entraves institucionais e protelações processuais para suprimir a manifestação da maioria real. Por meio desse expediente, o poder é hipertrofiado e retido, tolhendo a alternância de poder e cerceando o direito das novas gerações de exercerem o livre arbítrio político.
Assim se consolidam as autocracias disfarçadas: pela apropriação indébita do discurso democrático por aqueles que, em essência, o solapam. Trata-se do declínio das instituições democráticas, que ocorre quando forças já rejeitadas pelo corpo social capturam o poder e recusam-se a devolvê-lo à soberania popular.
