DESAPRENDER: QUANDO O SABER PRECISA... Carloseduardobalcarse
DESAPRENDER: QUANDO O SABER PRECISA DESOCUPAR O PODER
Há quem aprenda para compreender. Há quem aprenda apenas a defender o que já decidiu.
Uma educação que ensina a responder precisa também ensinar a REVER. Afinal, de que adianta ampliar o repertório se a consciência continua refém da primeira interpretação?
Nem toda certeza é conhecimento. Algumas são repetições que ganharam intimidade.
Os quatro pilares consagrados pelo Relatório Delors — aprender a conhecer, a fazer, a conviver e a ser — continuam fundamentais. Aprender a conhecer inclui aprender a aprender. Mas os desafios do presente nos convidam a explicitar outras aprendizagens: respeitar, discernir e desaprender.
O respeito já atravessa o conviver. A autonomia já atravessa o ser. Ainda assim, aquilo que permanece implícito no discurso precisa tornar-se explícito na prática.
Aprender a respeitar: reconhecer a dignidade de quem pensa diferente, sem conceder a toda opinião o mesmo valor de evidência.
Aprender a discernir: examinar o que merece nossa confiança, em que medida e sob quais condições.
Aprender a desaprender: retirar de uma certeza a autoridade que ela já não consegue justificar.
DESaprender exige DESapegar. Sobretudo quando confundimos uma ideia que temos com a pessoa que somos.
Não proponho uma educação do esquecimento. Proponho uma educação da revisão. O conhecimento que se sustenta merece permanecer. O equívoco que se revela precisa perder o comando.
Na Pedagogia do Discernimento e na Alfabetização do Discernimento Consciente, desenvolvo propostas teóricas para essa formação: examinar informações e reconhecer as influências que participam do julgamento.
O senso comum, comumente mente. E aquilo que se tornou comum em nós também precisa ser interrogado.
Na era das respostas instantâneas, precisamos aprender a não conceder confiança instantânea. A inteligência artificial pode produzir um texto convincente. Cabe a nós investigar o que, nele, merece convencer.
Quem terceiriza o critério pode assinar uma conclusão da qual nunca foi autor.
A revolução na educação depende da revolução na consciência. Porém, a revolução na consciência depende da revolução na educação. Esse movimento começa quando a sala de aula permite que uma boa pergunta desarrume uma certeza mal sustentada.
A educação não tem segredo, mas o segredo está na educAÇÃO.
Talvez uma das maiores provas de aprendizagem seja conseguir dizer: “Eu pensava assim. Examinei melhor. Hoje tenho razões para pensar diferente.”
Mudar de ideia com fundamento é dar continuidade ao compromisso de compreender.
O saber amadurece quando aceita prestar contas.
Carlos Eduardo Balcarse
Carlos Eduardo Garcia Moreno Balcarse
2 de novembro de 2026
ORCID: https://orcid.org/0009-0005-3484-6914
Artigos que fundamentam esta reflexão:
Pedagogia do Discernimento:
https://doi.org/10.55892/jrg.v9i21.3789
Alfabetização do Discernimento Consciente:
https://doi.org/10.55892/jrg.v9i21.3795
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