A capa é rija, E tomaram-me por... Sofia Pereira
A capa é rija,
E tomaram-me por guerreira.
Mas até os guerreiros
Têm alguém por quem olham
Com uma admiração que nem sempre sabem explicar.
Nunca precisei de te conhecer por inteiro,
Bastou-me estar atenta.
Aos pequenos gestos,
À delicadeza das palavras,
À forma como tratavas os outros
Quando nada te obrigava a fazê-lo.
E foi aí que te encontrei.
Não naquilo que procuravas mostrar,
Mas naquilo que, sem dares conta,
Deixavas transparecer.
Não sou de dizer tudo o que sinto,
Muito menos de baixar a guarda.
Mas contigo senti que havia algo
Que não devia ficar por dizer.
Não te disse o que disse
À espera de alguma coisa em troca.
Disse-o porque o vi,
Porque o reconheci,
E porque há pessoas
Que merecem saber o bem que deixam nos outros.
Sei que as minhas palavras te aqueceram o coração,
Mas espero, acima de tudo,
Que nunca tenhas duvidado da verdade delas.
E que, se algum dia duvidares de ti,
Te lembres de que houve alguém
Que, sem nada procurar,
Encontrou tanto em ti.
Quanto a mim,
Continuo de pé,
No lugar onde a admiração nasceu.
Sem exigir respostas,
Porque aquilo que te disse
Nunca foi uma pergunta.
