O HOMEM, А BANDEIRA E А TOLERÂNCIA... Fernando Santos

O HOMEM, А BANDEIRA E А TOLERÂNCIA DEMOCRÁTICA
Havia um homem que teve a coragem de levar uma bandeira de Israel para junto de defensores da Palestina. Talvez acreditasse que, numa sociedade que tanto proclama a tolerância, a liberdade de expressão e a democracia, fosse possível empunhar um símbolo controverso sem ser tratado como inimigo.
Mas bastou a bandeira aparecer para que a tolerância desse lugar
à fúria.
Aqueles que tanto falam de paz, respeito e direitos humanos atacaram-no como cães raivosos, como se a sua simples presença constituísse um crime imperdoável.
O homem, coitado, até terá agradecido aos céus por ter sido um abençoado com tão calorosa recepção. Afinal, quando a moralidade se transforma em agressividade e a tolerância se manifesta à pancada, sobreviver já parece uma bênção divina.
As pancadas, essas, só ele sabe a dor que lhe deixaram.
E fica a pergunta: de que serve proclamar a liberdade, se não somos capazes de respeitar a liberdade de quem pensa de maneira diferente?
Porque a verdadeira tolerância não se prova quando estamos rodeados por aqueles que concordam connosco. Prova-se quando temos diante de nós alguém que discorda de nós — e, ainda assim, reconhecemos o seu direito de existir, falar e empunhar a sua bandeira.
A democracia não se mede pelos slogans que gritamos, mas pela violência que somos capazes de recusar.