Ah, como eu queria que tudo isso... Jorgeane Borges

Ah, como eu queria que tudo isso passasse e que a dor que sinto em meu coração finalmente encontrasse cura. Que não houvesse a necessidade de me fazer forte quando forte eu não estou. Que eu pudesse, ao menos por um instante, descansar dessa força que tantas vezes me sustenta, mas que também me custa tanto.


Mesmo que em minha fraqueza existam forças que ultrapassam limites, forças que talvez outro não suportasse, isso não significa que eu não sinta o peso de tudo. Há uma diferença entre conseguir carregar e não sentir o peso. E, às vezes, tudo o que fazemos é continuar, mesmo quando por dentro desejamos apenas repousar.


A vida também é sobre isso. Aquilo que parece fraqueza em um pode ser uma fortaleza inigualável em outro. Talvez por isso nem todos consigam carregar o peso que alguém carrega, até que, um dia, esse mesmo peso seja colocado sobre suas próprias costas. Não há quem esteja completamente ileso da dor. Não existe medida justa, cálculo ou comparação capaz de determinar quanto alguém deveria suportar. Cada dor é uma dor. Cada profundidade tem o seu abismo. E cada pessoa conhece, por dentro, aquilo que o mundo tantas vezes só consegue enxergar por fora.


Mas eu só queria que tudo passasse.


Às vezes, silenciar para não aumentar o peso de quem já está sofrendo, esconder a própria dor para ajudar o outro a carregar a sua, é um esforço que ninguém vê. E esse silêncio, que tantas vezes parece cuidado, também pode se tornar um lugar pesado demais para permanecer.


Eu não queria precisar ser forte o tempo todo. Queria que, em algum momento, alguém percebesse que até quem sustenta também precisa de amparo. Que até quem acolhe também precisa ser acolhido. Que até quem continua, mesmo cansado, merece encontrar um lugar onde não precise provar que consegue.


Porque, hoje, eu não queria ser fortaleza.


Eu só queria que a dor passasse. E que, enquanto ela não passa, eu também pudesse ser cuidada.