Coleção pessoal de Fantasma_de_Max_Wolf

Encontrados 9 pensamentos na coleção de Fantasma_de_Max_Wolf

O barco está afundando,
Antes era um avião caindo.
Parece melhor estar no barco,
Mas não quando se está só;
Desesperados, quase sempre estamos sós.

É estranho se desidratar em meio ao oceano.
Beber a água imprópria pode ser pior que esperar,
Só que simplesmente esperar não te tira dali.
Embora a água seja líquida, ao pular, ela é como concreto.

Por vezes, a gente é obrigado a filtrar a própria urina
E encontrar sustento em nós mesmos, por mais repugnante que seja.

Ideias são como fezes: o autor consome diversos frutos, processa-os em seu interior e os expele. Não é adequado ou sequer saudável consumir as fezes, mas o esterco é útil para adubar um terreno e produzir frutos que nos sustentem.

A nossa liberdade está em nossa consciência, já que, por si sós, somos apenas matéria como qualquer outro objeto. Embora feitos de matéria, entendemos as nossas limitações e através do conhecimento, conseguimos trabalhá-las, modificando, até certo ponto, os sinais de pontuação que a vida impõe em nossas histórias. Não criamos as regras do jogo, mas aprendemos a usá-las a nosso favor; afinal, a mesma água que nos afoga é a que nos mantém vivos e o mesmo fogo que aquece é o que queima.


Isso nos leva a questionar a própria origem de nossas ferramentas. O termo "natural" é definido por boa parte dos dicionários como "aquilo que pertence ou é regido pelas leis da natureza". Por sua vez, a natureza é descrita como "o mundo material, especialmente aquele em que vive o ser humano e que existe independentemente das atividades humanas". Ocorre que, de certa forma, o ser humano, em sua essência, é algo que provém da natureza. Inclusive o cérebro, responsável por criar tudo o que é classificado como artificial, foi criado de maneira natural e é regido pelas mesmas leis.


Embora o cérebro tenha a capacidade de idealizar, tudo aquilo que é materializado deve seguir as leis da física; portanto, da mesma forma que tais leis regem o cérebro humano, regem também suas criações e manipulações. Onde surgiu, então, a diferenciação do que é natural? Se as leis da natureza são as mesmas que regem os seres humanos e suas criações ditas "artificiais", o conceito de natural seria ele próprio artificial?


Além do mais, o cérebro humano se enquadra nas características de "natural", visto que ele seria independente da atividade humana? A menos que ele materialize — ou melhor, que seja o princípio da atividade humana, o que é razoável supor. Pode-se dizer que o ser humano é fruto da reprodução de outros dois seres humanos, o que encerraria a questão biológica imediata; todavia, nem sempre foi assim. Sabemos que nem sempre existimos e que não somos eternos. Em algum momento, algo não humano originou o ser humano. Esse "algo", por definição, faria parte da natureza? Se sim, a consciência que nos dá liberdade é, no fim das contas, a própria natureza manifestando-se contra suas próprias limitações ?

Algumas pessoas sobrevivem mesmo que mortas; embora nem as tenhamos visto, e às vezes sequer tenham existido, algo resta: ideias, histórias, imaginários. Outras pessoas, mesmo que vivas, são para nós como se estivessem mortas, também há diversos contemporâneos aos quais são inexistentes para nós.

Na nossa história, algumas páginas são pesadas como concreto. Algumas são escritas com sangue em vez de tinta; às vezes, enquanto estamos escrevendo alguém bate na nossa mão, pois escrevemos essa história com outras pessoas. A nossa história é longa, certamente não está no começo e não sabemos como nem quando ela acaba; não sabemos o que é vírgula e o que é ponto final. Continuamos um caminho que já nos precede, já que não começamos nossa história pelo primeiro capítulo. Nesse trajeto — muitas vezes caótico e sem direção — temos algumas pistas que nos fazem repensar. Nessa história, há muitos apócrifos, fragmentos e rascunhos aos quais provavelmente nunca teremos acesso.

A opinião alheia não lhe pertence; são apenas representações das quais você é coadjuvante — ou algo pior. São construídas por recortes, colchas de retalhos feitas do que se vê, ouve e é costurado pela imaginação. Tanto é verdade que tal imagem pode, inclusive, sobreviver à sua morte.


Ainda assim, não me preocupo: essa projeção não me define, não dorme comigo, nem sente minhas dores. O que realmente importa é proteger minha essência e ter clareza de quem sou. Não me cabe provar nada ou me moldar ao mundo; o mundo muda o tempo todo, assim como eu, mas não necessariamente estamos em sincronia, embora as mudanças possam me afetar. Se provar, mesmo que por vontade própria, seria um esforço inútil.


Por outro lado, também tenho opiniões sobre os outros e acredito que todos tenham. É importante que as opiniões sejam compartilhadas, não suprimidas. Embora as pessoas se percam em devaneios baratos, o compartilhamento expõe o pensamento, criando um ambiente propício à análise e ao diálogo. Censurar a opinião é um erro; por mais distorcida ou falaciosa que seja, ela não é sobre o "alvo", mas sobre a colcha de retalhos na mente de quem a emite. Suprimir essas ideias não as mata; apenas as faz trabalhar nas sombras, até porque não lemos mentes. Além de tudo, censurar opiniões é tirar algo que é do outro, não o que é seu.

O populismo é capaz de levar uma atrocidade
ao padrão moral da sociedade.


Os indivíduos são resíduos
de uma fornalha que queima com o combustível
do generalismo, medo e ódio.


Levando os líderes ao primeiro lugar no pódio.
A escada de carne e osso tem como alicerce
ressentimentos, justificativas de fracasso,
como bolas de aço presas em seus calcanhares.


O problema pode existir e ter validade,
mas não é visto nem resolvido com base na realidade.
Murmúrios os unem, falácias os munem.
Aplausos ocultarão a necessidade de uma nova opinião.

Ás vezes o coração congela por conta de tanto frío na barriga, tanto vento provoca tempestades na mente e no meio dessas nuvens não é possível enxergar, mas não permita chover em seus olhos se não for para que os raios de luz possam entrar.

A humanidade desfila na beira do precipício,
Não que seja novidade, para nós é quase um vício.
A mesma ciência que ajuda salvar vidas
É a que estuda formas mais eficientes de atirar para a tirar.
É fato que o conhecimento não tem lado,
Mas o que fazemos é acelerar com o freio de mão puxado.




É fato que amamos odiar, a guerra nos motiva a avançar.
O caos é uma festa em que adoramos dançar;
Somos atraídos por ele, à meia-noite uma bomba nuclear.
O tempo passa e buscamos motivos para nos isolar.
Povo diferente? Mais um souvenir.
Pouco importa discernir,
Troca de presentes — às vezes nem é isso,
Só consumismo barato, disfarçando xenofobia e racismo. No fim turismo,
Aproveitando a feira do outro lado da fronteira.




Um mesmo ser, detalhes nos impedem de conviver.
Assim que as bombas estourarem, não haverá mais divisão,
Finalmente a igualdade: o fim de toda a civilização.
Não é o ideal, mas é a sentença do tribunal
Onde somos réus, carrascos e vítimas.
O lobo correndo atrás do próprio rabo,
Pois, bem como disse Hobbes: “O homem é o lobo do homem”.
No fim todos morrem.