Matar fantasmas e criar sonhos... Edineurai SaMarSi

Matar fantasmas e criar sonhos

“Deveria ter que sacrificar 27 alunos apenas por um?”

Sinceramente, prefiro acreditar que essa frase não tenha sido dita em referência às crianças com deficiência, porque isso, além de injusto, ignorante e preconceituoso, seria desumano.

Na verdade, falou muito e não falou nada...

Não sei se falou de crianças com deficiência, das mais agitadas ou, quem sabe, daquela criança quietinha, lá no canto. Enfim, tudo é relativo.

Já trabalhei em diferentes situações, e a minha opinião não muda: para mim, o que mais atrapalha a minha sala de aula são a direção e os pais. As crianças serão sempre a melhor parte!

No meu processo de ensino, não coloco todas no mesmo “saco”, porque cada uma é única, com sua própria bagagem de vida, suas necessidades e suas peculiaridades.

Não, eu não sou uma superpessoa, mas faço sempre o melhor que posso. E, se a minha meta é ensinar, eu vou ensinar! Da maneira que o Joãozinho consiga aprender e que a Maria fique feliz.

Não me importa transformar a sala de aula em um palco ou em um circo, porque não estou ali como telespectadora: faço parte da festa! Brincamos juntos enquanto aprendemos, porque a vida é isso: aprender sempre, inclusive com a dor. Mas eu prefiro aprender com amor.

E sempre deu muito certo!

Meu TCC foi sobre “A importância da ludicidade na aprendizagem de crianças: Educação Infantil”. Para mim, a aprendizagem floresce quando é regada com afeto, respeito, imaginação e brincadeira.

E uma observação para quem pensa que isso é apenas teoria: não, não é! Já trabalhei com quatro crianças com necessidades específicas ao mesmo tempo, entre elas crianças com síndrome de Down, deficiência intelectual (DI) e autismo.

E, só para constar, imaginem retirar da sala de aula cada criança que incomoda ou que, por algum motivo, não se encaixa naquele ambiente...

Particularmente, eu fui aquela criança quieta, calada, que o professor esquecia e cujo nome nem sequer lembrava.

Talvez seja por isso que eu me esforce tanto para fazer a diferença na vida das crianças. Procuro conhecer cada uma delas, compreender suas particularidades e encontrar maneiras de ajudá-las a aprender, respeitando suas diferenças.

Afinal, nem toda criança que fica quieta está bem, assim como nem toda criança agitada está simplesmente querendo atrapalhar. Cada uma tem seu próprio mundo, suas dificuldades e sua maneira de se expressar. E é justamente por isso que não podemos reduzir uma criança ao comportamento que apresenta em sala de aula.

E, em qualquer lugar em que eu esteja, sempre serei a pessoa que dará mais trabalho. Questiono, procuro entender e não me contento com respostas vazias. E, mesmo assim, terei que expulsá-los, porque ninguém quer ir embora...

Talvez a educação precise de menos julgamentos e mais disposição para compreender. Menos rótulos e mais oportunidades. Porque ensinar não é escolher quem merece permanecer, mas encontrar caminhos para que todos tenham a oportunidade de aprender.

Foi assim que encontrei o meu jeito de ensinar. Não porque sou uma superpessoa, mas porque sei que, por trás de cada criança, existe uma história que nem sempre conhecemos.

E, se um dia fui aquela criança que passava despercebida, hoje procuro ser a educadora que percebe, acolhe e faz a diferença.

Porque, para mim, educar vai muito além de ensinar conteúdos: é ajudar a criança a descobrir suas capacidades, enfrentar seus medos e acreditar que pode ir muito mais longe do que imagina.

É olhar para aquela criança que tantos consideram um problema e enxergar alguém que também precisa de oportunidades, afeto, compreensão e respeito.

É não permitir que os fantasmas de uma infância difícil determinem os sonhos de uma vida inteira.

É matar fantasmas e criar sonhos.