O ciclo involutivo das relações. Todo... Weslley Marcelo Massako...
O ciclo involutivo das relações.
Todo processo evolutivo traz transformações e nos impulsiona para um estágio mais elevado de consciência.
Muitas são as descobertas e os avanços nas diversas áreas do saber que nos proporcionam uma melhor qualidade de vida. Se de um lado é inegável a conquista das coisas e das formas, do outro, é discutível a evolução do ser.
A história, recheada de atrocidades, é a prova de que temos muito a evoluir. Guerras, assassinatos, violência de todos os tipos. E o que aprendemos com isso? Basicamente, nada!
Na outra ponta, não posso negar que a história também registra grandes conquistas, grandes avanços, resgata grandes lições filosóficas e religiosas, mas volto à pergunta: o que aprendemos com isso? Basicamente, nada! Até porque o homem é um lobo que acredita ser “cult” divagar sobre a graça dos coelhos, galinhas e cordeiros.
A evolução das coisas não se traduz na evolução do ser.
Enquanto formos capazes de mentir para nós mesmos acerca do que somos e do que acreditamos, continuaremos sendo capazes de cometer atrocidades.
Se o prato estiver cheio e o homem saciado, ele poderá distribuir as sobras, mas, se o prato estiver quase vazio e a fome lhe rondar, o exemplo do Nazareno não se aplicará. Nesse estágio em que o homem se encontra, até o autossacrifício é dosado de acordo com a pessoa e o motivo.
Há pessoas altruístas? Sim! Mas o altruísmo, enquanto condição humana, não é a regra. Infelizmente.
Como simples observador, vejo que as vontades e os desejos individuais se sobrepõem, em muito, às necessidades e aos desejos das pessoas. O meu credo e as minhas escolhas sempre me parecerão mais acertados, e eu os justificarei. Mesmo diante do óbvio ululante à minha frente, desconsiderarei todos os atos e fatos para simplesmente manter a minha verdade e, quiçá, o meu status quo.
Dentro de uma visão mais egoísta, podemos dizer que as escolhas são de caráter individual, mas, direta ou indiretamente, essas escolhas afetam o todo. Como pequeno exemplo, cito o caso de um médico que resolve não ir trabalhar; as consequências dessa ação poderão resultar em risco à vida de alguém. Outros exemplos podem ser citados. Em resumo, estamos interligados socialmente, mas o nosso individualismo não permite a clareza desse entendimento.
A lógica caminha no sentido de que, se eu dependo de outrem, este tem que ser bem cuidado. No entanto, fazemos o contrário. Criamos um sistema eterno de suserania e vassalagem, no qual o nosso ser acaba tendo pouca ou nenhuma importância. No balcão da convivência humana, o relacionamento sincero é extremamente caro.
Uma relação sincera consigo e com as outras pessoas perpassa pela evolução do ser, e, para evoluirmos, é necessário não termos dúvidas daquilo que somos e queremos. Quanto maiores as dúvidas que temos, maiores serão as pontes a serem construídas. Quanto maior a dúvida sobre quem realmente somos, maior será a influência externa sobre nós e sobre nossas ações. O individualismo humano não se perde, mas se vende e se torna confuso. Quanto mais turvo é o nosso ser, mais conturbadas serão as nossas relações.
A involução das relações é latente, e os culpados não são os outros.
Curar-se para poder curar: esse é o caminho.
E fazê-lo é uma experiência individual de cada caminhante, que fará ou não sua escolha. Afinal, és livre!
Pense e reflita!
Paz e bem!
Massako
