EM QUEM EU NÃO VOTARIA? O QUE VI? Se eu... Samuel Andrade

EM QUEM EU NÃO VOTARIA? O QUE VI?


Se eu fosse evangélico, eu não votaria em candidatos que usam o nome de Deus para ganhar votos, que se dizem evangélicos em tempos de eleição para manipular o voto do povo.


Se eu fosse um protestante histórico, especialmente daqueles que sempre levantaram a bandeira da separação entre Igreja e Estado, eu não votaria em um projeto que é a cara da Teologia do Domínio. Pesquisem e entenderão.


Jesus deixou claro com relação ao Estado: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Lembrem-se também do que disse ele: “O meu Reino não é deste mundo”. Quem acha que Jesus quer assumir o poder político de um país não entendeu coisa alguma do que ele ensinou.


E se ainda eu fosse evangélico, especialmente de linha protestante histórica (batista, presbiteriano, metodista, etc), eu não aceitaria um governo que criasse tensão entre evangélicos e católicos ou evangélicos e religiões de matriz africana, algo totalmente desnecessário. Manteria o princípio da liberdade religiosa, buscando estimular um ambiente de paz entre todos.


Deixa eu falar um pouco sobre coisas que vi…


Eu vi, com os meus próprios olhos, como voluntário em muitos projetos no sertão, o que significou a transposição do Rio São Francisco. Aquilo mudou radicalmente o sertão nordestino, para melhor. Se você não viu de perto, não tem noção clara.


Eu vi amigos de infância que não conseguiram entrar em uma faculdade serem beneficiados pelos programas de acesso à educação superior trazidos pelo governo atual ao longo dos anos.


Como psicanalista, eu ouvi muitas mulheres — inclusive esposas de homens ditos conservadores, religiosos, pregadores da moral e dos bons costumes e apoiadores do bolsonarismo — que, no consultório, se queixaram de maus-tratos, incluindo violência física e traições.


Importante: nem todo conservador é hipócrita, violento e extremista. Há quem tenha uma postura mais conservadora, mas que consegue dialogar e até mudar de pensamento. São conservadores, não fundamentalistas, para deixar claro.


Eu NÃO VOTARIA em quem presta continência para um outro país. Em quem não conseguiria ter trânsito internacional, boa relação diplomática para dialogar com os demais chefes de Estado. Um homem que se submete à soberania da sua nação a uma outra nação, nem mesmo posso chamar esse alguém de “homem”. Perdoe-me, mas se um líder de não é capaz de bater de frente com os interesses de um outro líder, eu não quero um cara desses. Para mim nem homem é. Sem macheza, se coragem, não de tem um líder.


Eu não votaria em quem, em algum nível, apoiou ou apoia quem, em um dos momentos mais tristes e trágicos da nossa história — os anos da pandemia — negou a importância da vacina e desdenhou da morte e do luto de muitos. Essa foi uma queixa constante naqueles dias, dos pacientes (os de esquerda e os de direita também), que se sentiram totalmente desrespeitados, ignorados, abandonados por um governo, no mínimo, irresponsável, para não dizer perverso.


Não se trata de esquerda contra direita, de candidato X contra Y. Mas de se ter consciência suficiente para votar. Não por afeto, por torcida, por simpatia, por disputa, por ego. Não pensando apenas em mim ou no meu grupo.


Consciência para votar pensando em todos. No todo.


Eu não gostaria de colocar o meu país nas mãos de alguém sem histórico nenhum de administração e competência política, valendo-se apenas de um discurso de ódio e de um “nós contra eles”, que é o que temos visto nos últimos anos.


Se Lula for governar, novamente, será o seu último pleito. E eu desejarei muito que novos candidatos de direita — da direita democrática — e outros da esquerda voltem ao cenário político para discutirem um projeto de nação.


Mas, para o momento, é essencial, fundamental, que a gente faça calar esses que nada tem a oferecer, a não ser ódio, divisão e entrega do nosso país nas mãos de outros.


Não argumento com dados de longe. Falo do que vi de perto.


Políticas públicas, voltadas para os mais pobres, vão equilibrando o país. E é isso que precisamos. Aliás, foi isso que outros grandes países precisaram fazer para que pudessem chegar a patamares maiores de desenvolvimento, econômico, social e humano.


O Brasil precisa melhorar muito. Mas, para isso, eu preciso votar por mim e por todos, mesmo eu não sendo mulher, evangélico, gay, sertanejo, carente de Bolsa Família, indígena, etc.


O Brasil é a nossa casa comum. Todos falamos português. A diferença é que um fala “oxe”, outro “uai”, outro “tchê”… Mas todos somos brasileiros.


Heteros e homossexuais, religiosos e ateus, do morro ou do asfalto, negros e brancos, de esquerda ou de direita, todos pagamos impostos e carregamos os genes da mistura que faz do nosso povo o povo mais lindo do mundo. Que não nos deixemos enfeiar por uma família que só tem estimulado o pior de nós. E ainda pior: usando o nome de Deus.


A gente sabe o que muitos puderam fazer em nome de Deus na história. Sugiro que você mesmo descubra se ainda não sabe.


Como dizia um velho e bom professor meu de teologia: “Todo extremo é perigoso”.


Eu não voto só por mim. Eu voto pela casa inteira. Precisamos vencer o extremismo. A ideia para o momento é que saiamos desse lugar. Isso é urgente. Depois a gente pensa no resto.


S.A.