É tanto Conservadorismo Fabricado e... Alessandro Teodoro

É tanto Conservadorismo Fabricado e Espremido que sai por entre os dedos.
Há momentos em que uma ideia deixa de ser convicção e passa a ser embalagem.
Ganha rótulo, slogan, pose e até uniforme.
Fala-se tanto em defender valores que, às vezes, pouco resta dos próprios valores por trás de tanta necessidade de demonstrá-los.
O conservadorismo, quando nasce de uma reflexão sincera sobre aquilo que se deseja preservar, pode significar prudência, respeito às tradições, responsabilidade diante das mudanças e apreço por princípios que atravessaram gerações.
Mas, quando é fabricada — sobretudo — às pressas para atender a conveniências políticas, transforma-se em outra coisa: uma identidade pronta, apertada à força sobre pessoas que talvez nem tenham tido tempo de perguntar o que realmente estão defendendo.
E quanto mais se espreme uma ideia para caber em discursos inflamados, mais ela perde substância.
Sai por entre os dedos aquilo que deveria permanecer: o diálogo, a coerência, o respeito ao contraditório e, sobretudo, a liberdade de pensar.
Talvez o problema não esteja em ser conservador, progressista ou qualquer outro espectro.
O problema começa quando o rótulo passa a pensar pelo indivíduo.
Quando a pessoa deixa de examinar uma ideia porque ela veio do seu lado e passa a rejeitar outra apenas porque veio do lado oposto.
Uma sociedade madura não precisa de cidadãos apaixonados por etiquetas.
Precisa de pessoas capazes de conservar o que merece ser conservado, mudar o que precisa ser mudado e, principalmente, reconhecer que nenhuma corrente política possui o monopólio da verdade.
Porque, no fim, quando o conservadorismo é apenas fabricado, espremido e exibido como identidade, talvez seja justamente aquilo que deveria ser preservado — a capacidade de pensar por conta própria — que acaba escorrendo por entre os dedos.
