A ATENÇÃO É A ANTESSALA DA AUTORIA... Carloseduardobalcarse
A ATENÇÃO É A ANTESSALA DA AUTORIA
Antes de sermos autores das nossas escolhas, precisamos ser autores da nossa atenção.
A atenção é a antessala da autoria.
Aquilo que captura repetidamente nossa atenção começa a participar silenciosamente da autoria das nossas escolhas.
Autoria também é escolher conscientemente aquilo que merece nossa atenção.
Quem terceiriza permanentemente a própria atenção corre o risco de terceirizar, sem perceber, partes da própria autoria.
A distração não rouba apenas tempo. Quando permanente e indiscriminada, pode sequestrar possibilidades de autoria.
Nem tudo aquilo que chama nossa atenção merece nossa consciência.
Prestar atenção é mais do que olhar. É conceder a algo o direito de participar da construção da nossa percepção.
A disputa pela atenção é também uma disputa pela percepção; a disputa pela percepção pode tornar-se uma disputa pela interpretação; e quem influencia continuamente nossas interpretações começa a participar das condições em que fazemos nossas escolhas.
Ao nos distrairmos, nós nos traímos quando entregamos ao irrelevante a atenção que deveria servir ao essencial.
A maior traição da distração talvez seja esta: continuamos acreditando que estamos escolhendo enquanto deixamos de perceber quem está escolhendo aquilo que receberá nossa atenção.
Protagonismo exige autoria. Autoria exige discernimento. E discernimento exige atenção suficiente para que a consciência não seja atropelada pelo estímulo.
A atenção seleciona. O discernimento examina. A consciência responde. A autoria assume.
Não existe autoria consciente sem atenção consciente, porque dificilmente podemos assumir plenamente uma resposta cuja formação sequer percebemos.
Quem não governa absolutamente a própria atenção não deixa de ser autor; mas quem jamais examina aquilo que governa sua atenção corre o risco de tornar-se coadjuvante das próprias escolhas.
Atenção sem discernimento pode tornar-se captura. Discernimento sem atenção dificilmente chega a acontecer. Autoria sem ambos corre o risco de ser apenas uma sensação de liberdade.
Ao nos distrairmos, nós nos traímos. Ao discernirmos, podemos nos reencontrar.
Talvez a liberdade comece muito antes da escolha. Talvez comece no instante em que percebemos aquilo que está tentando escolher a nossa atenção.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
