Depois do abandono Há abandonos que......
Depois do abandono
Há abandonos que não fazem barulho.
Não há portas a bater,
nem despedidas perfeitas,
apenas uma presença que desaparece
e um silêncio que fica.
E dói.
Dói olhar para o lugar onde alguém costumava estar
e perceber que já não está.
Dói procurar respostas
em perguntas que talvez nunca as tenham.
Às vezes, o pior não é alguém partir.
É começar a acreditar
que partiu porque não éramos suficientes.
E então carregamos essa culpa,
mesmo quando não nos pertence.
Começamos a pensar
que fomos difíceis demais,
tristes demais,
intensos demais,
ou simplesmente
não fomos aquilo que alguém queria.
Mas ninguém devia ter de diminuir a própria existência
para convencer alguém a ficar.
Há pessoas que partem
sem perceber a dimensão do vazio que deixam.
E há quem fique,
a tentar reconstruir sozinho
aquilo que não foi ele que destruiu.
Mas a tua dor não é a tua identidade.
Ser abandonado não significa
ser impossível de amar.
Ser deixado para trás
não significa que valhas menos.
Às vezes, alguém parte
e leva consigo uma parte da nossa paz.
Mas, com o tempo,
aprendemos a procurá-la novamente.
Dentro de nós.
Porque há pessoas que nos deixam,
mas isso não significa
que tenhamos de nos abandonar também.
