(VictorAntunes) "O primeiro degrau... Nos perdoarmos...
(VictorAntunes)
"O primeiro degrau da paz é o perdão"; e não existe perdão mais significativo do que aquele que concedemos a nós mesmos. No curso da vida, como seres sencientes e atônitos, somos sempre uma consequência das volúpias dos sentidos; mais das vezes fazendo escolhas equivocadas E malgrado ensine o sábio provérbio: "conhece a ti mesmo", claudicamos quando o desejo urge; daí, como desenfreados nos impulsos, os "vícios de postura" acontecem. Quase sempre, em decorrência de ilusão ou exageros das expectativas, nos abstraimos do mundo real, bagunçando nosso verdadeiro íntimo e nos tornando indesejados por quem nos assiste...
Mas, o exercício da reflexão, ainda que tardia, nos apresenta certo apanágio; surge quase que numa auto comiseração: "o arrependimento". Ele é o corolário da contrição sincera, uma confissão íntima que nos exige reparação; e na complexitude dos sentidos e do fardo das relações, nosso arrependimento é cativo de um certo tempo; o tempo do ato de reparação; mas, como desastrados que somos dos sentidos, eventualmente perdemos esse "timing" de exercer o reparo; e não devolvemos ao mundo real do "antagonista", a convicção que gostaríamos que ele tivesse sobre nosso calvário de culpas.
Sobremaneira, a consciência da imperfeição que nos acomete, pulula no nosso dia-a-dia; e age de forma responsiva no nosso comportamental;na cinergia e afetações das coisas e das relações que experienciamos. Por isso afirmo: nem sempre temos a plenitude da consciência daquilo que fazemos; nem sequer somos verdadeiramente cônscios de como responderemos, a tempo e modo; tudo é perplexidão quando advém o caos dos anseios dos sentidos mal correspondidos.
Assim, nos perdoarmos é mais importante do que viver em autocomiseracão, num misto de condenação e culpa eternas. A ação clara e coerente é nos perdoarmos; exercer a consciência da reflexão que trouxe o arrependimento; é ele o acerto; e nos permitirmos reconstruir algo bom que se torne mais importante do que uma penitência sem fim; afastando do íntimo uma paga infinita, ante a compreensão de que é preciso estancar a dor e a culpa; tudo que a certo tempo não significará mais nada.
Nos perdoarmos é mais que uma confissão; é o exercicio de uma mea-culpa que liberta; um passo acertado e necessário que nos traz paz.
Pense: quantas pessoas gostariam de pedir perdão àquelas que magoaram, mas perderam o timing?!....
Ora, na vida, tudo que está feito, está feito. Mas tudo que puder ser perdoado, nascerá outra vez.
A certo tempo, tudo estará consumado, tanto para o bem quanto para o mal; mas, se o arrependimento vive no nosso tempo, isso, por si só, já é um tributo doloroso. Nos perdoarmos, portanto, é uma redenção. Indubitavelmente, o mais forte dos sentimentos é o amor; mas ele jamais viveria sem sua alma gêmea: o perdão. Se amar é nunca exigir perdão, isso quer dizer que quem ama, já perdoou... Diante dessa reflexão, permita-se...
Quem, como você, um dia, te amou de verdade, também de verdade não te pediu, nem te exigiu perdão; é porque não precisava. O amor e o perdão são almas gêmeas que pulsam dentro de quem ama; mesmo naqueles que não estão mais aqui.
(Victor Antunes)
