Luz no Isolamento 23 de Setembro 23:13... Pedreiro Poeta Rústico, o...
Luz no Isolamento
23 de Setembro 23:13
Ouço sua voz,
no silêncio da prisão
em que acabei sendo detido, por desejar justamente o que não me desejava no tempo perdido.
Sou prisioneiro de uma cela fria, feita de sombras e de vã memória, onde a saudade dita, noite e dia, os tristes versos da nossa quase história.
Mas sei que o tempo que hoje me isola
não há de ser o meu eterno fim, porque a mesma mente que agora chora,
guarda a certeza que vive em mim:
a de que um dia, livre do tormento, hei de ter o teu corpo em meus braços, transformando em abrigo o vento, unindo os nós dos nossos pedaços.
E ao ouvir teu relato sagrado, da nova vida que em ti floresce, porei a mão em teu ventre dourado,
numa ternura que o mundo esquece.
No som macio que a tua voz traz, revelas o fruto do nosso enredo,
então a cela se desfaz em pura paz, quando confessas o doce segredo.
Sinto o compasso de outro coração,
sob os meus dedos que trêmulos guio, assim, a gravidez cura a antiga prisão, transbordando de amor o meu vazio de ti!
