Cenário da Distopia: O Império de... Celso roberto nadilo
Cenário da Distopia: O Império de Nero
O candidato a presidente exige que todas as organizações criminosas e facções sejam classificadas como terroristas. Milicianos — os "inimigos do mundo livre", por assim dizer — servem ao império do nepotismo declarado, submissos ao monarquismo americano. Enquanto isso, por aqui, um Nero servil destrói as linhas da democracia, instaurando um reino de terror. Sob o álibi do medo, somos forçados a glorificar a terra arrasada e os ossos do amanhã. Pó ao pó, declaramos o "país livre".
Nas redes, os bots entregam o manifesto desse líder. O acúmulo de riquezas em seus bolsos é notável; há dinheiro escondido até nas cuecas. Seu deus é o pneu, a prata, a família.
A invasão e a destruição de grande parte do que costumávamos chamar de "vida" abrem espaço para que novos elementos sejam inseridos no Estado por decreto. Deepfakes e mentiras repetem exaustivamente: "Para que direitos? Somos a soma, o benefício da dúvida e a própria benignidade. Seja um de nós ou será assimilado por nós." Ao fundo, uma grande explosão pontua o ultimato.
Nas ruas, botijões de gás propano transformam-se em barricadas e armadilhas. A resistência ao feudo digital ainda respira. As "verdades" ditas pelas Inteligências Artificiais são projetadas em telões gigantes em praça pública; logo em seguida, a programação muda para transmitir a grande final do futebol. O circo continua. O cidadão crítico olha com desdém para os clamores desse Nero de plantão e para os ratos do Senado.
Enquanto correm os relatos de invasões e saques ao país, as instituições providenciam a troca da moeda e um novo congelamento fiscal — a maquiagem perfeita para esconder o rombo bilionário nos cofres públicos.
