Eu fico tão chateado vendo minha... Diego

Eu fico tão chateado
vendo minha impotência diante de tudo,
como se eu tivesse chegado tarde
a um incêndio profundo.


Odeio qualquer tipo de injustiça.
Cada gesto cruel me atravessa,
cada silêncio diante da indiferença
parece uma culpa que também me pesa.


E no meio desse caos eu existo,
condenado à consciência de mim,
como alguém jogado na sarjeta
sem destino, essência ou fim.


Lançado em um mundo sem essência,
sou condenado a me inventar
na solidão da existência,
e entre ruínas, continuo a mudar.


Não há destino escrito para mim.
Há apenas a tarefa de escolher.
Cada escolha me compromete.
E mesmo assim sou livre ou condenado a ser?


No fim, existir é isso:
não se curvar à mentira bonita,
não normalizar a violência explícita,
mesmo quando o mundo pede submissão,
seguimos em construção.


É escolher sem garantia, na contradição,
é sustentar a liberdade como condenação,
é negar o que nos diminui em toda situação,
é carregar sozinho o peso da decisão,
e ainda assim afirmar a própria condição.