Guardiões da Floresta Amazônia, berço... Silvano Pontes
Guardiões da Floresta
Amazônia, berço de tradição,
Onde os povos vivem em comunhão,
Com a mata, o rio e o céu profundo,
Onde tecem sua história em seu mundo.
Povos indígenas, resistência e dor,
Na luta contra o invasor.
Seus rios são veias, a terra, altar,
Mas o mercador só sabe tomar.
O ouro que cega, o peixe que some,
Envenenado pela ganância do homem.
Mas sua voz ecoa, forte e viril,
Na defesa do nosso brasil.
Das línguas antigas, dos cantos sagrados,
Dos mitos que vivem nos tempos passados,
Cada povo guarda seu próprio saber,
Raiz que não deixa o futuro morrer.
Caçam, plantam, pescam com arte,
Na dança que pulsa no ritmo do rio.
De Apurinã a Yanomami, de Baré a Sateré Mawé,
Baniwa, Koripako, Munduruku, Tukano, Tuyuka,
Waiwai, Marubo, Matis, Matsés Juma,
Kambeba, Kanamari, Kokama, Mura,
Cada nome é um grito de existir,
Um laço com a terra, um porvir.
Desana dança, Karapanã canta,
Hupda, Witoto se levanta.
Kulina, Korubo, Pirahã na mata,
Ticuna, Tariana, guardam a chama.
Cada nome é um verso na história,
De resistência, luta e vitória.
Guardiões do clima, da vida em flor,
Sem sua luta, se perde o amor.
O mundo os nega, os expulsa, os fere,
Mas sua força ainda persevere.
Pois na floresta que o vento balança,
Está sua eterna esperança.
Oh, povos de raiz e de chão,
Sua luta é nossa canção!
Que a justiça chegue, clara e inteira,
Como o sol na mata brasileira.
Pois sem vocês, sem vosso ardor,
Não há Amazônia, não há amor.
Autor: Silvano Pontes
Amazonas em poesias.
