Quando Acaba o Amor? Quando acaba o... Aex Araujo

Quando Acaba o Amor?


Quando acaba o amor? Não adianta entender o final de um relacionamento buscando a razão, os possíveis motivos. Quando o amor acaba, qualquer desculpa serve.
Quando o amor acaba, o outro vive, porém, é como se não existisse mais. Torna-se um morto-vivo, de quem se tem apenas uma breve lembrança de que algum dia já existiu.
Quando o amor acaba, o toque incomoda, a libido deixa de existir, os beijos se tornam selinhos, dormir juntos não faz mais parte do coexistir.
O amor acaba quando você deixa de ser engraçado, de ser importante e se torna uma pessoa unicamente útil para o outro.
Quando o amor acaba, você começa a pensar no tempo, e em quanto tempo ainda tem. Pensar no tempo que passou e nas coisas que você poderia ter aproveitado: oportunidades, momentos, lugares...
Quando o amor acaba, a indiferença representa a morte simbólica do outro.
E se existirem alguns problemas mal resolvidos, traumas de infância, abandono, rejeição, ansiedade, o sentimento de dor causado pelo fim será ampliado.
Quando o amor acaba, pode ser que ainda existam outros sentimentos como respeito, encanto e esperança. Porém, o que vai definir se ainda haverá a coexistência será a reciprocidade.
Talvez o amor acabe pela negligência e pela falta de cuidado com o outro. Há, no entanto, um paradoxo com a reciprocidade. Paradoxalmente, se a reciprocidade for o último sentimento a aparecer, muda tudo, porque virá na hora errada.
Virá na hora em que os selinhos deveriam se tornar beijos, e não serão. Na hora em que o toque deveria acalmar, e não acalmará. Na hora em que o cuidado com o outro deveria ser recíproco, e não será pelo fato de ser ignorado.
Se a reciprocidade vier no fim, você só vai retribuir o que recebe, e o fim se tornará uma questão de causa e efeito. Porque quando o amor acaba, tudo incomoda, e o incômodo será retribuído reciprocamente.
Quando o amor do outro por você acaba, será a hora de procurar salvar o amor que ainda resta por você mesmo.
A gente não deve, simbolicamente, morrer quando o amor do outro acaba.
"Embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive, já morreu..."