Adjacências Perfume, volume. Algum... Júlio Raizer
Adjacências
Perfume, volume. Algum momento insano.
Fique parado, não se mova.
Reprove a cortina que cobriu a porta,
É na janela que ela devia estar.
Cáucaso, o destino evidente.
Caos que causou a fúria itinerante
Vassalos do príncipe dormente
Confiados ao berço retirante
Alegoria de uma caverna vazia
Pássaros mortos em seus ninhos
Na pluma que o coração trazia
Fecharam-se livros sem vizinhos
Rio aborrecido e minguante
Curva em suas pedras a majestade
Desse ribeiro fosco sem idade
Saiu galopando o rocinante.
Odor fresco num vazio. Todo instante pensado.
Não ande, corra.
Aprove a navalha que deslizou na pele.
Diga que é o pescoço que ela deve cortar. (Júlio Raizer )
