A legitimidade da nossa Falibilidade... Alessandro Teodoro

A legitimidade da nossa Falibilidade não nos desobriga da Correção, fugir disso é desperdiçar a Grandiosa Oportunidade de tornarmos Mais Humanos.
Há um conforto bastante perigoso em admitir que somos falhos e, a partir daí, transformar essa constatação em salvo-conduto para permanecer no erro.
Como se reconhecer a imperfeição fosse suficiente, como se a consciência, por si só, já nos redimisse.
Mas definitivamente, não.
Há uma distância essencial entre admitir a falha e se comprometer com a mudança — e é nessa travessia que a humanidade se reconstrói de fato.
Errar é inevitável, quase estrutural à nossa condição humana.
Mas corrigir-se é escolha, é esforço, é enfrentamento do próprio ego.
Exige encarar o desconforto de rever certezas, de admitir que aquilo que defendíamos talvez nunca tenha sido tão sólido quanto imaginávamos.
E esse movimento, embora incômodo, é profundamente transformador.
Quando utilizamos a falibilidade como justificativa para a inércia, deixamos de evoluir.
Tornamo-nos versões repetidas de nós mesmos, presos a ciclos de erro que já não nos ensinam mais nada.
A falha, então, perde seu caráter pedagógico e passa a ser apenas um hábito mal resolvido.
Ser mais humano não é errar menos — é corrigir melhor.
É assumir responsabilidade sem se esconder atrás de desculpas romantizadas e sofisticadas.
É entender que a imperfeição não é um ponto final, mas um ponto de partida.
No fim, talvez a verdadeira desumanização não esteja no erro em si, mas na recusa em aprender e reaprender com ele.
