O Altar do Cotidiano Não é só quando... Tito Jorge
O Altar do Cotidiano
Não é só quando o céu desaba em chumbo, e o peito implora o abrigo de uma mão, que a gente deve olhar pra quem, no prumo, sustenta as vigas do nosso coração. É fácil ser socorro no naufrágio, gritar o nome de quem sabe ouvir; Difícil é manter o privilégio de, no silêncio, ainda se fazer sentir. A base não se ergue em emergência, nem vive de migalhas de atenção; O amor que permanece pede coerência, presença que não cabe em distração. Que a gente saiba honrar o chão que pisa, não só quando o tropeço nos faz cair, mas quando a brisa leve nos avisa: “Alguém ficou pra te ver sorrir.” Pois quem é cais na hora da agonia merece festa, vinho e o melhor lugar. No centro exato de qualquer alegria, pra nunca o esquecimento o alcançar.
