[Antífona do Último Sábio a deixar o... Bruno Michel Ferraz Margoni
[Antífona do Último Sábio a deixar o Recinto]
O fim,
Chega para todos,
Em sua totalidade.
O mundo é deveras medíocre,
Se não o fizermos extraordinário.
Em cada contorno
Um universo peculiar,
A cada traçado,
A obra-prima
Se revelando.
Eu não ousaria dizer
O que você deve fazer
Com a sua vida,
Porque eu não admitiria
Que você dissesse,
O que eu devo fazer
Com a minha.
A vida vai ter
Que me arrancar daqui,
Eu não vou sair
Por conta própria.
Eles condenaram o mundo,
Enquanto dormíamos
Tranquilamente,
Sonhando com um futuro,
Em nossa ingenuidade
Permanente,
Esquecemos,
Que para fazer planos
É necessário um presente.
Quando digo eles,
Estou dizendo
Nós.
Constatando
A estupidez
Estampada na carne,
Só há uma forma
De viver neste mundo,
E é discordando dele.
Pois,
O destino do poder é a
ruína.
Às vezes
Queremos atribuir,
Um sentido grandioso
E extraordinário,
A momentos
Específicos da vida.
Mas com o tempo,
Percebemos,
Que só os instantes
Mais singelos,
São sublimes.
E que a
simplicidade
É o que há,
De mais sofisticado
No UNIVERSO.
Assim sendo,
Tudo
Chega ao fim,
Até mesmo
A finalidade.
E a Poesia começa,
Quando o Poeta
termina.
(Michel F.M. - Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas - Trilogia Mestre dos Pretextos)
