Tudo passa, tudo se esconde em mim. Da... Jeremias Edson Cardoso

Tudo passa, tudo se esconde em mim.
Da memória, uma tela se desenha,
lugares onde nunca pisei,
ecos de um passado que não é meu.

Sofá gasto, mofo que invade o silêncio,
tristeza que habita os cantos escuros.
E a selva, vasta e imensa,
tribos, índios, sombras que me cercam.

Pindorama, terra de águas e verdes,
animais que correm, horrores que calo.
Lugares que não são meus, mas me tocam,
fragmentos de um mundo que habita em mim.

Antes dos beijos selvagens,
antes das trilhas tortuosas,
sinto o ar inflar meus pulmões,
o cheiro da mata, o pulsar da vida.

Corro com os medos, com os gritos,
mil vozes que ecoam dentro.
E, no fim, retorno ao meu centro,
à casa que sou, ao silêncio que me completa.

Deixo a tela cair,
queimando o inútil, o que não me serve.
Renasço do fogo, limpo, livre,
pronto para sentir, para ser.