Sempre há dois lados. As repetições... Jeremias Edson Cardoso

Sempre há dois lados.

As repetições só fizeram sentido
quando parei para ver
a violenta, imensa onda —
intragável, de recuo invisível.
Para me ver limitado, sem voz, apenas assistindo.
Abro o notebook, a internet, seus símbolos e portais.
Parece que vivo há dez mil anos.
O banco deixou de ser martírio para os jogadores;
sempre foi uma nave do tempo.
Do banco ouço Chico cantar:
"ai que saudade dos meus doze anos",
"que saudade ingrata..."
A nova casa trouxe-me
quinzenas de sede e fome,
atrozes obstinências.
Mas...
a hora da alegria chega depois do dia mais cansado.
Cansado de quê, exatamente?
Hoje é dia de semana,
mas poderia ser feriado — tanto faz.
Sob um sol mais limpo, banhando tudo de luz,
a vida fica mais agradável
quando descobrimos que não é eterna.
E nada se compara à insustentável leveza da vida
sem a internet.