Depressão, Amante Nada Sigilosa Não... P. H. Amancio.

Depressão, Amante Nada Sigilosa


Não sou mais a prioridade da minha amada.
Ela prefere se deitar com a solidão.
Não me olha mais nos olhos —
só mareja quando pensa nela,
a depressão.


Em casa já não ouço sua voz,
apenas sussurros e soluços.
Não sinto mais seu toque nem seu cheiro,
resta uma lembrança boa
que passa ligeira, como quem não quer ficar.


Já não sei como é ser chamado de amor.
Por que me trocou?
Eu sei que ele — o desespero —
é mais arranque do que eu.
Ainda assim, deixa-me participar
desse cenário de ilusão.


Deitaremos, se me convidar,
os três, então.