Entregar-se ao acaso Eu, jovem, preso... P. H. Amancio.

Entregar-se ao acaso




Eu, jovem, preso numa monotonia velha,
canso de sorrir
para esconder as lágrimas.


Canso de nadar contra a correnteza
e sempre me ver longe da borda,
muito longe da borda —
que triste.


Não quero morrer assim.
Não quero que esse seja meu fim.
Entrego-me, de corpo e alma, ao acaso.


Não faço mais planos,
nem tento controlar meus dias.
De hoje em diante, apenas viverei:
serei, amarei, gozarei.


Chega. Já me enchi demais.
Comecei a me esvaziar.
A morte não me assusta,
e a vida é uma velha amiga.