A pergunta que não quer calar Entre um... Miriam Da Costa

A pergunta que não quer calar

Entre um escândalo e outro,
entre a encenação burlesca das caminhadas midiáticas
e as parvoíces políticas/parlamentares
que se repetem como método,
o ruído é tanto
que quase nos esquecemos do essencial.

Alexandre Ramagem,
hoje condenado pela Justiça brasileira,
sem mandato, sem prerrogativas,
fora do país, longe da cela que o aguarda.

Eduardo Bolsonaro,
sem mandato, réu,
também fora do Brasil,
atuando politicamente em solo estrangeiro
como se a cassação tivesse sido apenas
um detalhe administrativo.

Já não são parlamentares,
já não representam oficialmente o povo.
E ainda assim,
seguem fazendo campanha contra o próprio país,
num turismo internacional travestido de “agenda ideológica”,
enquanto o Brasil permanece aqui,
arcando com as consequências.

Quem sustenta esse exílio confortável?
Quais cofres, quais interesses,
quais alianças silenciosas
financiam a militância internacional
de quem rompeu com a legalidade interna?

Não é fofoca.
Não é perseguição.
É dever cívico perguntar.

Porque quando agentes políticos,
mesmo destituídos, mesmo condenados ou réus,
atuam fora das fronteiras
para desacreditar as instituições do próprio país,
o nome disso não é liberdade de expressão:
é ataque à soberania.

E a pergunta insiste,
mais incômoda agora,
porque os fatos já não permitem fingimento.

Ficará por isso mesmo?

A condenação sem cumprimento,
o processo sem desfecho,
o exílio dourado como prêmio informal?

A democracia não cai de uma vez.
Ela apodrece lentamente
toda vez que a lei alcança uns
e contorna outros.

E a pergunta que não quer calar
segue viva,
porque enquanto não houver
responsabilização plena,
o tapete continuará sendo usado
não para limpar,
mas para esconder.

E desta vez,
todos veem o volume sob ele.

O tapete da ilegalidade e da vergonha
não esconde mais nada.
E o povo não esquece!

✍©️@MiriamDaCosta