Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira: Vassalo ou Badalada Obcecado pelo tocar...

Vassalo ou Badalada

Obcecado pelo tocar do sino me tornei.
Não sei se ele me avisa coisas do além
Ou se apenas me trata com desdém,
Sei que toca a rebate mentiras de alguém!
Além!...
Além de mim!...
- Para quem?
Para ti!
- Porque há-de?
Há-de quem tem!
- O que diz?
Diz com desdém!
És Feliz?
Sabes bem!


Verdades confusas do meu sentido,
Ressonância a longa distância na qual não sou incluído,
Não me deixa descansar nem cérebro nem ouvido,
Toca a rebate a dança da criança de ar arrebatado.
Mal educado!...
- Porque foste?
Catucado.
- Por quem?
Pelo passado.
- O que sentes?
Me enfartado.
- De quê?
Tanto pecado!...
Cansado!...

É sino que não sai dali como eu não saio daqui.
Produz momento clandestino no meu nulo destino.
Outorga sem razão o tormento de viver num só momento
É tudo igual, com se eu fosse mera noticia de jornal.
Mas não faz mal!
É me igual!...
- Porque dizes isso?
Não te interessa.
- Para quê a presa?
Quero ir depressa.
- Ser jornal?
Noticia!
- Noticia?
Noticia Ilícita!...


Negado eco social deste sino a rebate em mim bate,
Meu meio amigo meu eterno desalento meu sentido doente,
Cadência, ritmo, recital meu carril de ferro... Berro!...
Que nunca me houveras abandonado augúrio vibrante desamparado,
Danado!...
Agora estou!...
- Foste enganado?
Fui malfadado!...
- Alguém protestou?
Errado!...
- Qué certo?
Escutar fado.
- Quando?
Eternamente...

Ressonância estranha no meu ser só por convir,
Razões incompreendidas da minha, da tu, da vida!...
Cercado por prazeres mortais, vertiginoso sonhar
Despertar arrebatado, arrebatada contrariedade sentida.
- De que falas?
Metido!...
- Eu?
Não, o ouvido!...
- Brincas?
Tu comigo!
- Ironias?
Querias!
- E agora?
Se queres, chora!...


Vibra o pensamento em cada dado momento,
Escondendo amar a dor do penhor que só Deus sabe,
Cingido ao obedecer as delongas do prazer,
Realizando padecer velho moribundo acorda pró viver.
Do mundo!...
Contudo!...
- O que tens?
Sem nada!...
- Para quem falas?
E tu, porque não te calas?...
- Quem, eu?
Não, eu.
- Não percebo.
Caluda.


Não sou mais que defunto, no fundo, não quero mais saber.
Realidade que a vida não mais pode mirar profundo amanhecer.
Como irei dizer de mim que aqui estou se não estou a mexer?
Só entretenho entretanto a minha alma na peça do viver!
- Que de ti será?...
Já não sou.
- Que darás?...
Tudo dei!
Ainda tens?
Já não há.
- Que de ti dirão?...
Já não ouço.
- O que podes?
Sorrir!...


Porque não saio eu de dentro de mim?
Porque não vou ser eu quem me apetecer?
Por não sou eu quem queria ser?
Onde estou, estou sem saber!
Por isso badalo...
- Diz meu vassalo!
Vida é ferida!
Cura é vida!
Tempo é vão!
Valsa é viver!
Dizer por dizer,
É vida malfadada!
Tu e eu,
Última badalada!...

O ressoar golpeado pelos martelos do sino da igreja que hoje já não possui badalo percute em meus sentidos todos os dias da minha vida... Sei de cor a cadencia das notas que o fazem ouvir, as vezes também elas tocam dentro de mim fora de horas.

Inserida por ruialexoli