Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira: Madeira de Cedro Quantas vezes lapidei...

Madeira de Cedro

Quantas vezes lapidei madeira,
Dobrado ao calor da nossa fogueira,
Lapidando à mão com o teu formão.

Hoje sou cedro aqui plantado
E tu vens toda enamorada.
Encostas-te ao meu tronco,
Sussurras...
Segredos vindos do nada.
Ao pé do meu ouvido,
Deixas-me sentido!...
Tu não sabes...
Mas a sombra onde trocas,
Retocas...
Outras juras de amor,
São lembranças
Da dor!...

São o dissabor,
Negativo que resta do amor,
Que fotografámos nas docas.
Desalento que o vento não leva
Do amor que fizemos nas rochas...
Amor que sugo da terra,
Do negro das minhas raízes,
Que não seguem mais tuas directrizes.

Por isso sei que te vais,
Agora não sabes que dizes,
Minha sombra não é mais...
O que naquela noite fomos no cais,
As lembranças que travamos...
Nós dois, não dá mais!...

Agora não nos amamos!
A sombra deste cedro,
É para acolher as perdizes,
Os galhos para o melro cantar,
As folhas são para o sol irradiar,
O dossel para eu perdoar momentos infelizes,
Horizonte, onde jaz a linha da montanha,
É onde dorme a saudade tamanha,
Que um dia senti... ter de ti!

Agora aguardo no tempo
O alento do madeireiro.
Sei que me irá encontrar,
O meu tronco é para decepar
E a minha madeira
Com amor alguém irá lapidar.

E vou sentir de novo
Minha pele nas mãos do povo,
Que o formão voltará a rasgar.

Quem não tem coração
Não se sabe entregar,
Como o cedro se entrega ao formão,
Nas mãos de quem o quer transformar,
Numa mesinha de cabeceira.
Onde irei de novo ao pé do ouvido escutar
Juras de amor...
Juras de amor,
Prá vida inteira!

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